terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Encontros e desencontros - Um lugar comum das despedidas


Já diziam os físicos que o tempo é relativo. Para confessar nunca compreendi muito aquela famosa fórmula que explica essa frase. Na verdade mesmo, nunca fiz questão de compreender. Todavia, em alguns momentos é inevitável não citá-la. Quanto tempo dura um mês? O mais apressados responderiam trinta dias, o mais intelectuais buscariam uma fórmula para provar seu pensamento. A minha resposta é simples, e remonta aos nossos tempos de criança: Depende!
Acho que para todos nós que fizemos parte dessa experiência a resposta não é exata. Eu diria que um mês é pouco, que passou rápido demais. Que tínhamos muitos mais desejos e vontades para aproveitar juntos. Mas também responderia , logo após refletir sem muito drama, que é muito. Porque muito ? Pelo simples motivo que conheci pessoas que guardarei para o resto da minha vida. Pessoas que compartilharam experiências, medos, anseios, saudades, chateações. Enfim, compartilhamos emoções. E ninguém se lembra de uma experiência sem remontar a uma emoção. Aquelas situações frias alheias aos nossos sentimentos simplesmente passam como um carro na rua. Não tocam, não marcam.

Mas vocês marcaram. Aprendi muitas coisas com cada uma das pessoas que estiveram em Whittier no mês de Janeiro. Talvez, aprendemos menos inglês do que deveríamos, confesso, apesar de estar bastante satisfeito com meu andamento no idioma. Todavia, aprendi a ser mais tolerante, paciente. Aprendi a relembrar alguns defeitos que tentava tanto esconder em um passado longínquo. Consertei alguns, outras apenas segui em frente aparando as arestas , esperando o dia em que a maturidade finalmente falará o mesmo idioma.

Lembro-me do primeiro dia que conheci todos vocês. Eu estava bastante animado com a possibilidade de conhecer novos brasileiros. Um mês, quase sozinho, nos Estados Unidos me fez perceber que sinto falta do calor humano, da diversão, das brincadeiras que apenas os brasileiros sabem fazer.

Posso ter falado demais, confesso. Peço desculpas, ás vezes queria apenas ajudar e tornar a experiência mais magnifica do que já é. Tendo em vista que o primeiro contato sempre é traumático com o novo país, a nova cultura, novas pessoas etc.

O mês passou. Viajamos para San Francisco, conhecemos Santa Barbara. Vocês viajaram para Las Vegas, tiveram histórias engraçadas na volta do Gran Caynon. Alugamos dezenas de vezes carros. Viramos melhores amigos da Enterprise e da Hertz.

Enfrentamos nossos medos, porque não? Como não lembrar da apreensão de muitos ao ver as montanhas russas do Six Flags. Lembro como se fosse ontem de alguém berrando quero ir de novo.

Mas o mês. Mas não! Pequena correção: E o mês passou. Para que se lamentar que acabou, para que chorar ? Vivemos, sentimos e agora temos recordações para vida toda. Algum pessimista levantaria e diria: "Mas será díficil nos encontrarmos de novo." Eu respondo: Um dia o intercâmbio foi apenas um sonho, volte algumas páginas desse blog e veja a evolução. Tenho a certeza que ainda viveremos muitas coisas juntos. Uns mais outros menos. Cada um com seu tempo devido a diferença de idades. Mas isso tornou tudo mais bonito. Éramos um grupo de diferentes partes do Brasil: Aracaju, Londrina, Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. Isso nos proporcionou trocar experiências.

Aprendi muito sobre Bauru, e nossa como eu poderia morrer sem conhecer Humberto e Ronaldo?

Como alguém já disse a intensidade dos momentos é o que importa. Escrevo apenas hoje porque precisei de um tempo digerindo a pausa - não o fim. Acordar segunda feira,ir para Aula da Colina e ver a Kaplan fria e mais formal foi impactante.Todavia, só me fez valorizar mais e mais o tempo que passei com essas pessoas maravilhosas.

Obrigado por tudo e até breve. O nosso sonho coletivo ainda não terminou,apenas uma pausa pois ainda vamos construí-lo juntos. Entretanto, meu sonho particular continua até dia 3 de março.

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