
Depois de dois meses de espera o dia chegou. Meu horário marcado para apresentação dos documentos na Polícia Federal era às dez horas da manhã no Shopping Rio Sul. Resolvo acordar oito e meia para ter certa tranqüilidade, e não ter problemas de atraso. Todavia, como de costume nada do que planejamos sai de fato como o esperado. O despertador toca e eu resolvo ter mais cinco minutos de sono, tais minutos que se tornaram vinte. E sim eu já estava atrasado.
Levanto-me correndo em direção ao banheiro, tomo um banho rápido, visto-me e saio em disparada rumo ao ponto de ônibus. Espero por intermináveis quinze minutos o 433 passar. Sento-me no local mais perto da porta, e o que me restava a partir daquele instante era esperar e rezar.
Salto no ponto de ônibus em frente ao Rio Sul às dez horas em ponto, no limite do relógio e do meu horário marcado. Subo em disparada as milhares de escadas rolantes, esbarro com um rapaz, que fica visivelmente irritado com a minha afobação, a qual beirava a total falta de modos. Peço desculpas ainda andando, e deixo o pobre rapaz a resmungar sobre a situação. Entro em rompante no posto da Polícia Federal às dez horas e seis minutos, meu nome já havia sido chamado. Porém, eu não sabia, por isso fiquei sentado por uns quatro minutos esperando o chamado. Até que o pensamento de estar atrasado me faz perguntar à senhora da frente se algum “Pedro Henrique” havia sido chamado, ela balança cabeça positivamente, e diz que a vez tinha sido passada. Desespero, aflição, medo. Mistura de sentimentos.
Aproximo-me da porta e espero a atendente aparecer. Digo que estava atrasado, peço desculpas, e por um breve momento de imensa sabedoria invento uma desculpa: “Desculpa, eu estava em prova na UERJ. Só pude chegar agora, quando eu marquei há dois meses não sabia que teria prova no mesmo dia”. A desculpa foi aceita, o que é raro, afinal os servidores públicos desse país detestam adiantar a vida dos cidadãos. Momento de glória. Tenho a clara impressão que uma gota de lágrima desce em meus olhos.
Sento-me na cadeira, entrego os documentos. Justifico a inexistência de certificado militar e comprovantes de votações devido à minha pouca idade. A atendente sorri, e diz que não tem problemas. Apresento meu antigo passaporte, o qual é devidamente furado para ser invalidado. E lá se vai a história de uma outra viagem aos Estados Unidos. Com um momento de nostalgia lembro-me da Disney, do aeroporto. Sinto-me feliz, voltarei aos Estados Unidos em breve.
Depois da apresentação de documentos o momento mais tenso: Assinatura no leitor digital. Pego a caneta, assino e não vejo nada. A assinatura vai direto para tela do computador, de forma horrenda, mas enfim, pelo menos estava lá. Faço minhas digitais no leitor, tiro minha foto e pronto. Recebo o protocolo com o dia do recebimento do passaporte. Abro um sorriso, agradeço e me levanto. Missão cumprida.
Anotação mental: Lembrar da aula de Direito e Pensamento Politico, o auto-engano. Cinco minutos jamais são apenas cincos minutos.
Dear Pedro,
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