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sábado, 7 de janeiro de 2012

Conhecendo Melhor Whittier College


Relendo meu blog percebi que cometi um grave erro e bastante comum neses diários de viagem. Esqueci de falar um pouco sobre a faculdade onde estou estudando. Então esse novo post será dedicado apenas sobre a Whittier College e a escola que está anexa à mesma, Kaplan.

Estou estudando na Kaplan que é uma grande companhia de cursos de inglês ao redor do mundo, não somente nos Estados Unidos. Eu escolhi Whittier por se tratar de uma cidade pequena em Los Angeles, que é o centro de toda california. Facilmente já consegui conhecer boa parte do coração americano. Claro que isso só foi possivel com um carro, mas não se preocupem o aluguel aqui é bem barato.

A Kaplan faz parte da Whittier College, que é universidade particular. Essa Universidade possui uma história muito rica, e eu até mesmo diria que a história da cidade se confunde com a da Universidade. Seu estudante mais famoso foi o ex presidente americano Richard Nixon, conhecido por sua renúncia no escândalo watergate e também por estreitar o dialogo com o bloco comunista, principalmente em relação a diminuição do armamento nuclear. Em termos de politica externa sua contribuição foi muito importante para atenuar os ânimos do mundo polarizado, mas internamente seu governo foi um desastre, e até hoje permanece como o único presidente americano que renunciou.

Saindo dessa contextualização histórica, volto a falar da Universidade. Ela possui um campus enorme com seis quadras de tenis, um ginásio fechado, academia, piscina, campo de baseball, de softball, de futebol americano ( às vezes convertido em campo de futebol americano), uma enorme cafeteria para as refeições dos estudantes e uma gigantesca biblioteca, entre outras coisas. E um amplo espaço verde onde podemos encontrar esquilos, coelhos etc.

É um campus muito bonito, bastante conservado. Nenhuma universidade brasileira ,nem mesmo particular, chega aos pés dessa. O curso mais reconhecido da Whittier College segundo alguns estudantes americanos que tive a oportunidade de conversar é o de Business (algo equivalente à Administração no Brasil). Mas é universidade com uma visão bastante voltada para artes e para os esportes. Andando pelo Campus é comum encontrar lugares com poesias, salvo o engano o fundador ou a pessoa que dá nome a faculdade foi um poeta americano. Os times da faculdade são chamados de "Poets" - os poetas. É comum encontrar camisetas com "FEAR THE POETS" - tenha medo dos poetas.

Como estudante da Kaplan eu tenho acesso a todas as facilidades do Campus como por exemplo jogar tenis como na foto desse post, ou até mesmo malhar.

Enfim, estou bastante feliz por essa escolha, talvez eu sinta falta um pouco da agitação das grandes cidades. Mas viver em um ambiente diferente é muito bom, a sensação de paz e segurança durante esses três meses é impagável.

sábado, 2 de julho de 2011

Passaporte: Com emoção ou sem emoção?


Depois de dois meses de espera o dia chegou. Meu horário marcado para apresentação dos documentos na Polícia Federal era às dez horas da manhã no Shopping Rio Sul. Resolvo acordar oito e meia para ter certa tranqüilidade, e não ter problemas de atraso. Todavia, como de costume nada do que planejamos sai de fato como o esperado. O despertador toca e eu resolvo ter mais cinco minutos de sono, tais minutos que se tornaram vinte. E sim eu já estava atrasado.

Levanto-me correndo em direção ao banheiro, tomo um banho rápido, visto-me e saio em disparada rumo ao ponto de ônibus. Espero por intermináveis quinze minutos o 433 passar. Sento-me no local mais perto da porta, e o que me restava a partir daquele instante era esperar e rezar.

Salto no ponto de ônibus em frente ao Rio Sul às dez horas em ponto, no limite do relógio e do meu horário marcado. Subo em disparada as milhares de escadas rolantes, esbarro com um rapaz, que fica visivelmente irritado com a minha afobação, a qual beirava a total falta de modos. Peço desculpas ainda andando, e deixo o pobre rapaz a resmungar sobre a situação. Entro em rompante no posto da Polícia Federal às dez horas e seis minutos, meu nome já havia sido chamado. Porém, eu não sabia, por isso fiquei sentado por uns quatro minutos esperando o chamado. Até que o pensamento de estar atrasado me faz perguntar à senhora da frente se algum “Pedro Henrique” havia sido chamado, ela balança cabeça positivamente, e diz que a vez tinha sido passada. Desespero, aflição, medo. Mistura de sentimentos.

Aproximo-me da porta e espero a atendente aparecer. Digo que estava atrasado, peço desculpas, e por um breve momento de imensa sabedoria invento uma desculpa: “Desculpa, eu estava em prova na UERJ. Só pude chegar agora, quando eu marquei há dois meses não sabia que teria prova no mesmo dia”. A desculpa foi aceita, o que é raro, afinal os servidores públicos desse país detestam adiantar a vida dos cidadãos. Momento de glória. Tenho a clara impressão que uma gota de lágrima desce em meus olhos.

Sento-me na cadeira, entrego os documentos. Justifico a inexistência de certificado militar e comprovantes de votações devido à minha pouca idade. A atendente sorri, e diz que não tem problemas. Apresento meu antigo passaporte, o qual é devidamente furado para ser invalidado. E lá se vai a história de uma outra viagem aos Estados Unidos. Com um momento de nostalgia lembro-me da Disney, do aeroporto. Sinto-me feliz, voltarei aos Estados Unidos em breve.

Depois da apresentação de documentos o momento mais tenso: Assinatura no leitor digital. Pego a caneta, assino e não vejo nada. A assinatura vai direto para tela do computador, de forma horrenda, mas enfim, pelo menos estava lá. Faço minhas digitais no leitor, tiro minha foto e pronto. Recebo o protocolo com o dia do recebimento do passaporte. Abro um sorriso, agradeço e me levanto. Missão cumprida.

Anotação mental: Lembrar da aula de Direito e Pensamento Politico, o auto-engano. Cinco minutos jamais são apenas cincos minutos.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Porque NÃO fazer Intercâmbio?



Porque fazer um intercâmbio? Talvez essa seja a pergunta mais recorrente feita a mim. No inicio eu demorava a responder, ficava meio sem graça, sem jeito. Sentia-me um pouco maluco, afinal de contas porque eu iria fazer um intercâmbio? Afinal, eu vivo em um dos países mais bonitos do mundo, em uma cidade cuja alcunha principal é maravilhosa. Um país que está na linda e mais animadora estação durante o ano inteiro: o verão. Teria eu menos orgulho de ser brasileiro, por isso a necessidade de viver em terras além mar? Bem, acho que não, apesar de muitas vezes criticar os conhecidos problemas do Brasil, não me imagino sem o futebol, sem o majestoso Maracanã, sem a praia de Ipanema, da garota que vem e que passa com seu doce balanço a caminho do mar.

No inicio sempre respondia com a tradicional resposta de todo intercambista: “Será bom para o meu currículo”. Nossa! Que resposta vaga e sem sentido, resumir a experiência de viver em outro país à uma linha em seu currículo. Não, definitivamente, essa nunca foi e nunca será uma boa resposta. Nem ao menos chegava perto. Lembro-me que depois dessas perguntas eu ficava durante o resto do dia refletindo o motivo dessa aventura, e foi em uma dessas reflexões que decidi escrever esse blog. Mas os motivos para escrever um blog sobre minha viagem terão seu espaço devidamente reconhecido em outra postagem, voltemos ao assunto inicial.

Certa vez no meu curso de inglês fiz essa mesma pergunta a minha professora: “Porque fazer um Intercâmbio?” A resposta dela foi uma das coisas mais incríveis que já escutei em minha vida, certamente aquela era a resposta que eu deveria utilizar a partir daquele momento. Ela simplesmente respondeu com outra pergunta : “Pedro, porque você não deveria fazer um intercâmbio?” Foi um momento de catarse digno de livros de Clarice Lispector.

Apesar da saudade, se você realmente possuir condições de estudar fora , não existem motivos para não fazê-lo. Conhecer um novo país; aprender ou aprimorar um idioma; conhecer a cultura local, e a cultura de dezena de outros países trazidas na bagagem de outros intercambistas, e claro transmitir a sua própria cultura; conquistar independência, aprendendo a se virar sozinho; ganhar aquela linha extra no seu currículo; conhecer os principais cartões-postais do mundo; fazer compras sem os impostos imorais brasileiros. Enfim, os motivos de se fazer um intercâmbio são tantos, que cada qual mereceria um próprio texto. E me atrevo a dizer que poderia ser injusto esquecendo-me de citar tanto outros. Portanto, como não sou pessoa de cometer injustiças, hoje em dia apenas respondo com a aquela pergunta feita pela minha linda professora: “Porque não fazê-lo?” E deixo aqueles que perguntaram de queixos caídos, sem resposta, pois aquela tentativa maliciosa de reduzir esse momento mágico fora desconstruída.