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quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Um mês de viagem e as diferenças culturais


Hoje , dia 11 de Janeiro de 2011, faz exatamente um mês que cheguei a Whittier , Los Angeles. O tempo passou voando, em um piscara de olhos já completei um terço da minha viagem, mas ao mesmo tempo já realizei grandes sonhos como passar o natal na disney, conhecer Hollywood, e ontem mais ir a um jogo dos Lakers - em uma outra oportunidade irei escrever mais detalhadamente sobre isso.

Porque vou dedicar esse texto para falar um pouco sobre como é gratificante conhecer novas culturas, e novos pontos de vistas. Nesse um mês de viagem pude conviver com europeus, asiáticos, árabes e latinos. Pessoas das mais diferentes origens com realidades extremamente diversas. Alguns vivem sobre o regime de uma ditadura de socialismo de mercado como os chineses, outros em uma monarquia como os arabes da Arabia Saudita, outros sobre presidencialismo como os brasileiros e por fim alguns europeus sob o parlamentarismo.

Pude perceber que os pensamentos sobre as polêmicas globais são divergentes, as vezes precisamos parar de debater para não criar um grande conflito diplomático como quando um chinês foi questionado sobre a questão do Tibet ou quando perguntaram ao italiano a opinião sobre Berlusconi.

Viver um periodo com diferentes culturas é gratificante, você começa a quesitonar suas verdades universais. Talvez vestir branco no ano novo não seja tão importanto, talvez seu país não está tão mal quanto você pensa.

Cada dia que sentamos em frente a televisão e começamos a conversar sobre a assuntos aleatórios chegamos a conlusão mais aleatórias ainda. Diria até que chegamos a Sócrates: "Só sei que nada sei". Afinal, como bem definido por Einstein o tempo é relativo minha familia comemorou o natal e o ano novo muito antes de mim. Os chineses nem ao menos sabem o que é natal.

Aprendi muitas esse mês, mas a principal delas é que apesar de todas as diferenças pessoas são pessoas em todas as partes do mundo. Pessoas sentem medo, irritam-se, tem os mesmo problemas com os pais, sentem saudade de casa, orgulham-se de suas origens e etc.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Conhecendo Melhor Whittier College


Relendo meu blog percebi que cometi um grave erro e bastante comum neses diários de viagem. Esqueci de falar um pouco sobre a faculdade onde estou estudando. Então esse novo post será dedicado apenas sobre a Whittier College e a escola que está anexa à mesma, Kaplan.

Estou estudando na Kaplan que é uma grande companhia de cursos de inglês ao redor do mundo, não somente nos Estados Unidos. Eu escolhi Whittier por se tratar de uma cidade pequena em Los Angeles, que é o centro de toda california. Facilmente já consegui conhecer boa parte do coração americano. Claro que isso só foi possivel com um carro, mas não se preocupem o aluguel aqui é bem barato.

A Kaplan faz parte da Whittier College, que é universidade particular. Essa Universidade possui uma história muito rica, e eu até mesmo diria que a história da cidade se confunde com a da Universidade. Seu estudante mais famoso foi o ex presidente americano Richard Nixon, conhecido por sua renúncia no escândalo watergate e também por estreitar o dialogo com o bloco comunista, principalmente em relação a diminuição do armamento nuclear. Em termos de politica externa sua contribuição foi muito importante para atenuar os ânimos do mundo polarizado, mas internamente seu governo foi um desastre, e até hoje permanece como o único presidente americano que renunciou.

Saindo dessa contextualização histórica, volto a falar da Universidade. Ela possui um campus enorme com seis quadras de tenis, um ginásio fechado, academia, piscina, campo de baseball, de softball, de futebol americano ( às vezes convertido em campo de futebol americano), uma enorme cafeteria para as refeições dos estudantes e uma gigantesca biblioteca, entre outras coisas. E um amplo espaço verde onde podemos encontrar esquilos, coelhos etc.

É um campus muito bonito, bastante conservado. Nenhuma universidade brasileira ,nem mesmo particular, chega aos pés dessa. O curso mais reconhecido da Whittier College segundo alguns estudantes americanos que tive a oportunidade de conversar é o de Business (algo equivalente à Administração no Brasil). Mas é universidade com uma visão bastante voltada para artes e para os esportes. Andando pelo Campus é comum encontrar lugares com poesias, salvo o engano o fundador ou a pessoa que dá nome a faculdade foi um poeta americano. Os times da faculdade são chamados de "Poets" - os poetas. É comum encontrar camisetas com "FEAR THE POETS" - tenha medo dos poetas.

Como estudante da Kaplan eu tenho acesso a todas as facilidades do Campus como por exemplo jogar tenis como na foto desse post, ou até mesmo malhar.

Enfim, estou bastante feliz por essa escolha, talvez eu sinta falta um pouco da agitação das grandes cidades. Mas viver em um ambiente diferente é muito bom, a sensação de paz e segurança durante esses três meses é impagável.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Six Flags Magic Mountain - Melhor impossível


Esse post é para cumprir uma promessa sobre escrever sobre o Six Flags. Confesso que não tive tempo de visitar todos os brinquedos do parque porque é simplesmente impossivel. O parque é gigante, e as filas piores ainda. Por isso eu comprei o passe anual que me dá direito a visitar o parque todos os dias de 2012, não vou usar por completo, mas valia a pena pois estava em uma promoção do mesmo preço de um dia normal de parque.

Sem mais delongas o que falar sobre o Six Flags? Poderia falar que é um parque para quem gosta de adrenalina, quem gosta de montanhas russas etc. Mas quero ir além, pois o parque não é apenas para os amantes de montanhas russas, também possui suas atrações voltadas paras crianças e os personagens dos desenhos de super heroi e a turma do Pernalonga.

Eu conheci o Six Flags Magic Mountain, o parque próximo a Los Angeles. Um parque muito bonito, gigantesco, bem planejado, todavia, não para as filas. Elas são enormes e acabam de impedindo de conhecer todo o parque.

Apesar dos pesares se você estiver perto de um Six flags e gostar de parques de diversão, você tem a OBRIGAÇÃO de conhece-lo. As montanhas russas são de diversos tipos altas, rápidas, em pé, sentadas, que dão cambalhota , enfim , tem tudo. Em comparação a Orlando/ Tampa é de longe melhor que o Bush Gardens. Ou qualquer parque Disney ou Universal se você estiver na busca de adrenalina.

Ainda preciso andar em mais dois dos brinquedos principais para me sentir plenamente realizado, espero que você reserve mais de um dia para conhecer os Six Flags No final você verá que valeu muito a pena

Ah! Mais uma dica tome cuidado ao estacionar o carro , segue o video

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Clássico I - Orlando x California - Parques Temáticos



Orlando x California - Parques temáticos

Bem, esse post na verdade é apenas uma opinião minha, pois já estive em ambos os lugares, e agora posso notar as diferenças entre eles. Obivamente, muita coisa mudou desde minha ida a Orlando há cinco anos, mas pelo que acompanhei de amigos que foram depois tirando algumas novas atralções a essência permanece a mesma.

Primeiramente, gostaria de deixar bastante claro que Orlando é gigantescamente maior do que a California, o complexo Disney da California tem apenas dois parques. Acredito que se for possível você deve conhecer os dois, afinal apesar de ser menor a magia da disney é a mesma. Não iimporta que o castelo do Magic Kingdom tenha o dobro da altura(ou até mais), meu primeiro conselho seria que se você tem a oportunidade vá primeiro a California e depois a Orlando, assim você conseguirá curtir muito mais os parques daqui e quando chegar a Orlando se maravilhar com a diferença e se reencantar com o Disney seja com o castelo ou os outros parques.

Muitas atrações são as mesmas ou são bastantes parecidas.Quando avistei a splash mountain senti que o tempo voltando, meus treze anos recuperados. Portanto, talvez se você for a California pode deixar para o final algumas atrações de Orlando, ganhando assim mais tempo para ver as outras que não são tão parecidas.

Eu realizei um sonho que foi passar a vespera de natal na Disney, foi um momento mágico e emocionante. Depois dessa experiência fico me perguntando como deve ser passar o Natal no Magic Kingodm. E saberei um dia, essa é minha promessa. Além de completar os parques disney conhecendo Paris e Tóquio, ainda voltarei para Orlando para passar o Natal e depois pegar um avião para Nova Iorque para passar o ano novo.

Eu ainda não conheci o segundo parque da Disney na California, mas pelo o que eu ouvi falar ele junta as principais atrações mais "radicais" de Orlando em um parque,como por exemplo o famoso elevador do MGM, The Hollywood Tower.

Depois de feitas as considerações sobre a Disney, apague tudo o que fui dito anteriormente sobre as diferenças porque agora falarei sobre a Universal Studio.Como todos sabem em Orlando a Universal Studios possui dois parques, o da Universal propriamente dito que mostrar os efeitos especiais e etc. E um parque com atrações mais radicais como a montanha russa do Hulk, e senão me engano agora possui também o mundo mágico de Harry Potter, infelizmente, pois sou fã da série, ainda não conheci
essa atração, mas irei conhecer futuramente. Enfim, deixemos de lado o segundo parque da Universal e falemos apenas sobre o Universal Studios. O parque da california é gigantesco, tem dois niveis. Sendo o primeiro com a maioria das atrações, e a parte de baixo onde estão os studios de gravção dos filmes e seriados com a atração do Jurassic Park e da Mumia. Eu não sei o que mudou desde de 2006, mas a minha impressão das atrações citadas é que elas são melhores aqui na California. Enfim, outra atração que ninguém pode deixar de ir é a "montanha russa" dos Simpsons, que também existe no outro parque da Universal em Orlando.

Mas tirando essas atrações o mais importante para mim foi o tour pelos estudios. É um oportunidade única de conhecer onde os filmes são gravados, eu por exemplo pude conhecer o cenário de desperate housewives, um seriado bastante famoso, que confesso nunca ter assistido. Esse tour não ocorre em Orlando por motivos óbvios, os estudios são aqui em Hollywood.

Então, portanto se você tem apenas a oportunidade de conhecer uma Universal Studios -independetemente da Disney, se por exemplo você já a conhece ma snão conhece a Universal Studios - venha para California, é uma expriência maginifica.

Final de Jogo

Orlando 1 x 1 California

Gols
OrlandO: Complexo Disney
California: Universal Studios.

Juiz da Partida: Pedro Henrique Moreira

Ainda irei visitar o Disney California Adventure e o Six Flags, logo depois deixarei minhas impressões aqui.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Friendship, amicizia, Freundschaft, дружба , 우정 = Amizade!


Não importa onde você esteja ou se você domina ou não o idioma, você sempre irá encontrar pessoas para compartilhar suas experiências. Pessoas que te farão rir, chorar, emocionar-se, irritar-se etc. Nessa semana vivi e aprendi muitas coisas com pessoas fantásticas das mais diferentes origens. Aprendi que a imigração dos Estados Unidos é tranquila, a não ser se você for Árabe. Meu amigo Fahad teve que tirar todas as suas roupas , uma situação constrangedora. Infezlimente a guerra contra o terror iniciada por Bush após os atentados terroristas de 11 de setembro continua causando estragos, criando preconceitos e esteriótipos sobre as pessoas.

Felizmente nem todos os esteriótipos são ruins. Afinal, sempre ouvir dize que italianos são pessoas extremamente divertadas e são uma ótima companhia para se viajar. Isso não poderia estar mais certo. Nunca pensei que encontraria na minha vida uma coreano, uma russa, duas alemães,enfim, o efeito intercâmbio ainda me deixa fascinado. Independente da sua nacionalidade você pode fazer muitos amigos- e bons, diga-se de passagem, estou muito feliz por poder compartilhar essa minha experiência com eles. As fotos marcarão para sempre esses momentos e tenho certeza de quando eu estiver bem mais velho me lembrarei desses momentos dentro do Starburcks tentando bolar um texto legal para o meu blog. Nem sempre consigo, mas o importante é que por aqui estou conseguindo me aproximar dos meus amigos do Brasil e de minha familia. Espero que leiam e se divirtam sempre com minhas histórias, e lembrem-se que o tempo passa rápido em breve estarei de volta para matar a saudades de todos.

Não importa seu idioma, seu sotaque, o local onde está. AMIZADE SERÁ SEMPRE O MAIOR DE TODOS OS SENTIMENTOS! Afinal, como diz a velha frase: "Amigos são a família que escolhemos"

"Quero chorar o seu choro
Quero sorrir seu sorriso
Valeu por você existir amigo
Quero chorar o seu choro
Quero sorrir seu sorriso
Valeu por você existir amigo (A amizade - Fundo de Quintal)"

See you, Guys

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Se você pode sonhar, você pode realizar...


*(Se você pode sonhar, você pode concretizar. Sempre se lembre que tudo começou com um sonho e um rato - Walt Disney)


O espirito do natal é contagiante. Não há nada melhor do que decorar a sua casa, comprar presentes, ouvir algumas vezes as musicais tradicionais da época- algumas vezes, afinal ouvir todo dia a mesma música no mercado se torna insuportável e acreditem todas as culturas possuem suas próprias musicais insuportáveis, não seria diferente com a cultura americana.

Estou quase completando uma semana nos Estados Unidos e uma das coisas que mais tem me chamado a atenção é a tradição americana nessa época. Não sei se o inverno torna as coisas mais bonitas, ou se estou vivenciando tudo que vi em filmes por isso admiração mas o fato é que os americanos comemoram o natal de uma forma diferente, uma forma apaixonada, que inspira admiração e vontade de fazer parte disso. Eles vivem o natal durante o mês de Dezembro e perpetuam tradições como o cartão de consumo em uma loja - cafeteria, supermercado etc - de presente. Os corais que esbarramos nas ruas, as lojas tocando as músicas natalinas(como acontece no Brasil). Mas a tradição do papai noel aqui é muito mais forte, os pais por exemplo colocam biscoitos e leites para o bom velhinho. Todas as casas possuem meias com presentes a serem abertos no tão esperado dia.

Hoje na escola todas as turmas prepararam uma pequena apresentação para celebrar o espirito de natal. Confesso que fazia muito tempo que me divertia tanto e sentia tanta alegria por essa época do natal. No Brasil tendemos a pensar que quando envelhecemos nosso coração endurece um pouco, e que talvez sejamos muito velhos para encarnar o espirito natalino. Obviamente que continuamos com as tradições de reunir a familia, mas esses poucos dias que estive aqui pude relembrar como é ser criança, e não importa o quanto pareça impossível seu sonho ele poderá se tornar a realidade. Quando pensei pela primeira vez em um intercâmbio não fazia a menor ideia que um dia poderia concretiza-lo . Era apenas um sonho distante, mas graças a minha familia e um pouco de esforço pessoal estou aqui. Aqui relembrando meus sonhos, projetando o que virá depois, vivenciando o espirito de natal. E com certeza sentido falta a falta de todos vocês no Brasil. Por isso eu deixo uma das músicas apresentadas hoje pelas turmas:

"I don't want a lot for Christmas
There is just one thing I need
I don't care about the presents
Underneath the Christmas tree

I just want you for my own
More than you could ever know
Make my wish come true
All I want for Christmas
Is you (Mariah Carey - All I Want For Christmas Is You)"

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Primeiros detalhes fazendo a diferença.


Em 10 de julho em um dos meus primeiros textos escrevi: “Ou seja, nem tudo será perfeito quando chegar ao local planejado para viagem. E serão esses pequenos detalhes que farão a diferença, os pequenos problemas que te tirariam do sério se fossem previstos farão a diferença. (...) Viva os pequenos detalhes que fizeram a diferença. Escrevo hoje sem saber quais serão esses detalhes.” Nunca algo que havia escrito fez tanto sentido quanto fez hoje para mim. Na quarta feira recebi a informações da minha “host family”, a casa onde eu iria ficar. Seria um casal sem filhos de meia idade, com uma distância de trinta minutos do campus onde vou estudar. Mandei um email para eles me apresentando, enfim para confirmar se tudo estava certo. O email não foi respondido, e no dia seguinte fiquei na procura frenética pelo DDD da cidade. Não encontrei. Hoje, véspera da viagem,liguei para Telemar e finalmente consegui o DDD de Whittier - 00XX1562. Com muita ansiedade liguei para a família, pois não sabia se meu inglês seria compreendido mas tive que arriscar. Tive duas surpresas, vamos primeiro para a boa: meu inglês é melhor do que eu imaginava, e a moça me compreendeu muito bem. A segunda surpresa, essa sim desagradável: Ela não fazia menor idéia de que eu estaria viajando domingo para ficar em sua casa, apesar de conhecer o curso e já ter participado dessa atividade. Ela me aconselhou ligar para escola.

Desliguei o telefone meio atoardo, e não acreditando no que tinha escutado, só podia ser brincadeira. Enfim, peguei meu telefone e liguei para escola, novamente a comunicação fluiu de maneira satisfatória. A moça pediu desculpas pelo erro, disse que iriam checar as informações. Depois pediu meu email para contato. Foi nesse momento que começou a minha “via crucis”. Bem, como explicar o que seria o traço entre “Pedro-henrique-moreira” em inglês? Fiz meu primeiro malabarismo lingüístico, quando estava quase finalizando, a ligação caiu.

Desespero novamente. Redisquei. Fui atendido pela mesma moça, e pedi para que fizéssemos o inverso que ela falasse o email dela, assim eu enviaria uma mensagem e ela me responderia. Depois de alguns minutos de SOLETRANDO, ao estilo Caldeirão do Huck, consegui mandar o email para ela, e receber as informações corretas sobre onde iria ficar.

É nesse momento que aquele texto antigo volta à tona. O grande erro de endereço foi sadio, acabei alocado para uma “host family” a 5 minutos do campus. E o senhor que irá me receber foi extremamente prestativo e caloroso na ligação, deu-me muitas informações uteis e disse que esperava que eu aproveitasse a estadia. O detalhe não esperado de erro da família se tornou em um grande benefício para mim. Não precisarei mais pegar transporte e perder muito tempo no deslocamento.E ainda por cima terei internet na casa. Que fique o conselho ligue para sua família antes de viajar, erros podem acontecer. E acima de tudo aceite tudo de bom humor, as coisas podem melhorar quando você menos espera.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

E, finalmente, chega o dia do Visto.



Chegado o temido dia, hora de tirar o visto de estudante para os Estados Unidos. A burocracia para se tirar um visto é absurda. São pedidos todos os tipos de documento desde imposto de renda, até a uma carta da escola que estudarei. Enfim, os meses pré entrevista foram de uma correria desumana tanto do meu pai quanto minha para conseguir todos os documentos necessários e não correr o risco de receber “VISTO NEGADO”. E sem falar no inferno que foi preencher o formulário online que toda hora caía e não aceitava de forma alguma minha foto.



Eram dez e meia da manhã, a fila fora do Consulado já era perceptível. Dezenas de pessoas das mais diversas profissões e origens. Todas com suas próprias expectativas de viagem e interesses. Alguns estudantes na fila, um sargento fardado do exército brasileiro, uma senhorinha que viajaria pela primeira vez de avião para Nova Iorque sendo bancada pela filha. Enfim, pessoas diferentes mas com semblantes parecidos, a tensão tomava conta da fila ao meio da orientação das pessoas do consulado na separação do passaporte e dos documentos mais importantes. Nesse clima de tensão, o Sargento teve a noticia que havia esquecido um documento, pensando estar em seu quartel aumentou seu tom de voz com a menina que estava ali somente pra ajudar.

Despeço-me do meu pai, a entrada sozinha é obrigatória para maiores de dezoito anos. E, finalmente, entro no consulado. Passo pelo detector de metais e minha pasta com os documentos pelo Raio X. Felizmente nada perigoso entre meus pertences, sigo meu caminho para buscar minha senha. Número 603. Havia pelo menos umas cinqüentas pessoas na minha frente, a tensão permaneceria por alguns instantes. Abro meu livro de José de Alencar, folheio algumas páginas, não consigo me concentrar. Pego o folheto distribuído e vejo meus direitos como “não-imigrante”. Na teoria serei magicamente bem recebido em Los Angeles. Penso por um instante nos milhares de brasileiros que possuem problemas com o governo norte americano. O suor escorre pelo meu rosto, não pela refrigeração. Confesso que o ambiente estava bem climatizado, mas a tensão continua. Pego novamente meu livro do romântico José de Alencar. Para que tantos advérbios e adjetivos? Eu já havia entendido que Aurélia era uma moça muito rica, a obra prima não são os milhares de detalhes explicados detalhadamente (perdoe a redundância, ainda estou no espírito romântico), mas, sobretudo, a história.

SENHAS: 607 591 603 600 598

E de súbito escuto meu número ser chamado, volto a realidade. Esqueço-me totalmente da triste sina de Aurélia na escolha de seu pretendente e volto para a tensão. Sou conduzido para uma nova sala junto com seiscentos e sete, quinhentos e noventa e um, seiscentos e quinhentos e noventa e oito. Meus amigos sem nomes, numerados mas que vivem a mesma cena de tensão da entrada. Nossas digitais são retiradas. Nesse momento sorrio com a pronuncia da palavra " direita" da senhora do consulado, e sou conduzido para mais uma nova fila, a das entrevistas.

Esse é o momento onde você começa suar como tivesse jogada uma partida de futebol inteira com prorrogação. Sua perna treme. Você começa a escutar a perguntas dos entrevistadores através do vidro com o microfone para as outras pessoas – sim não há privacidade, todos sabem para onde você vai e o que vai fazer. As perguntas feitas a outras pessoas são sendo respondidas mentalmente com suas informações. E chegada a hora, o dialogo é rápido, mas a duração é quase eterna:


Oficial: Seu nome é Pedro Henrique, correto? (ênfase no sotaque da pronúncia de Henrique)
Eu: Sim
Oficial: Vai viajar para onde?
E: Califórnia
O: Turismo ou trabalho?
E: Nenhum dos dois, senhor. Estudo
O: Bem.... Você estuda no Brasil? Mora onde?
E: Faço Direito na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, senhor. E moro na Tijuca,bairro aqui do Rio

(breve pausa, ele digita alguma coisa, fica olhando alguns segundos para tela a sua frente)

O:Seu pai pagará seus estudos?
E: Sim, exato.
O: Quanto tempo de viagem?
E: 3 meses
O: Desculpe-me, quanto tempo?
E: 3 meses , three months, sir
O: Ah sim, desculpe-me novamente. Bem, seu visto já está concedido, vá pagar o sedex. Boa Viagem

Aquele momento mágico no qual você finalmente confirma que irá viajar, e que tudo deu certo. Confesso que sai do Consulado meio zonzo,meio atoardo ainda com medo de ser negado. Ainda tive que ouvir do lado de fora as reclamações do Sargento que havia gritado com a menina que teve o visto para sua inteira negado. Isso me fez lembrar os avisos do meu pai: “Pedro, a conduta dentro e fora do Consulado contam muito” Realmente, ele estava certo. Fico com pena da família dele, mas acho que ele poderia ter sido mais cortês com a moça que o tentava ajudar. O estudante e a senhorinha também tiveram os vistos concedidos, fiquei feliz por eles também. Ainda meio alto, fiz meu pai ir nos correios pagar a taxa do sedex para mim. Estava sem pernas e sem raciocínio para fazê-lo. Em breve, receberei meu passaporte com meu visto em casa, e a partir daí é só arrumar as malas. E como diria Lulu Santos:

Garota , eu vou para Califórnia

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Um poema é o que acontece quando uma ansiedade encontra uma técnica.


(Minha coisa favorita é ir onde eu nunca estive - Diane Arbus)

Certa vez um poeta disse que “Um poema é o que acontece quando uma ansiedade encontra uma técnica”, tendo em vista que não tenho técnica ficaremos sem o poema. Mas não sem um texto para marcar o dia de hoje. Falta exatamente um mês para o meu intercâmbio.

Hoje foi um dia atípico, não tive aula devido ao ponto facultativo estadual. Entretanto, eu passei o dia inteiro estudando pois minhas provas estão chegando , ou seja, sem muito tempo pra pensar no meu intercambio. Todavia, ao final da noite olhei meu calendário e notei o óbvio, e por isso não podia deixar essa data passar em branco. Muitas coisas passaram na minha cabeça. Desde minha primeira viagem de avião a Portugal, quando no alto da minha curiosidade infantil questionei meu pai sobre o significado dos pingentes de bandeira no terno do comissário de bordo. A resposta foi simples, mas foi marcante: “São todos os idiomas que ele fala, filho, ele é um poliglota.” Eu não sabia que uma pessoa poderia falar tantos idiomas, não sei dizer se minha memória me engana mas tenho quase certeza que eram quase mais de dez bandeiras. Eu fiz uma promessa desde então: “Pai, eu vou ser um poliglota.” Bem, confesso que até hoje só falo inglês e português, arranho a leitura de espanhol, estou bastante longe daquele objetivo daquela criança de quatro anos de idade. No entanto, eu sei que minha paixão do inglês nasceu dali, e meu pai ri até hoje quando lembra essa história.

A vida certamente é feita de sonhos, e partir daquele momento meu sonho não era apenas falar mais de um idioma, era conhecer o mundo. Minha paixão por viajar, por estar onde nunca estive se iniciou naquela viagem a Portugal. Confesso que lembro pouco, ou quase nada, daquela viagem. Eu era muito pequeno, mais alguns "flashes" ainda passam pela minha mente, e se hoje faço direito visando a área internacional foi devido aquela viagem tenho certeza disso

Meu intercambio marcará minha vida, viverei imerso em um idioma que não tenho o domínio, e isso faltando um mês para viagem somado a ansiedade começa a provocar medo em mim. Não um medo ruim, mas um medo motivador daqueles que um jogador de futebol sente ao entrar em campo antes da grande decisão. O medo daqueles que por tantos anos sonharam e até mesmo duvidaram que seria possível concretizar seus desejos. Estou prestes a realizar um sonho. E como um bom brasileiro que sou não poderia terminar esse post de outra forma que não fosse samba:


“Sonhar não custa nada
O meu sonho é tão real
Mergulhei nessa magia
Era tudo que eu queria
Para ese carnaval
Deixe a sua mente vagar
Não custa nada sonhar
Viajar nos braços do infinito
Onde tudo é mais bonito
Nesse mundo de ilusão
Transformar o sonho em realidade
E sonhar com a mocidade
E sonhar com o pé no chão” (Mocidade Independente de Padre Miguel - Sonhar não custa nada!)

"Existem duas coisas que impedem uma pessoa de realizar os seus sonhos: achar que eles são impossíveis, ou, através de uma súbita virada na roda do destino, vê-los transformarem-se em algo possível quando menos se espera.Pois neste momento surge o medo de um caminho que não se sabe onde vai dar, de uma vida com desafios desconhecidos, da possibilidade que as coisas com que estamos acostumados desapareçam para sempre.As pessoas querem mudar tudo, e ao mesmo tempo desejam que tudo continue igual.Muitas vezes acostumamos com a derrota, e qualquer chance de vitória torna-se um fardo pesado demais para carregar ou somos covardes demais para mudar o destino." (Paulo Coelho)



sábado, 2 de julho de 2011

Passaporte: Com emoção ou sem emoção?


Depois de dois meses de espera o dia chegou. Meu horário marcado para apresentação dos documentos na Polícia Federal era às dez horas da manhã no Shopping Rio Sul. Resolvo acordar oito e meia para ter certa tranqüilidade, e não ter problemas de atraso. Todavia, como de costume nada do que planejamos sai de fato como o esperado. O despertador toca e eu resolvo ter mais cinco minutos de sono, tais minutos que se tornaram vinte. E sim eu já estava atrasado.

Levanto-me correndo em direção ao banheiro, tomo um banho rápido, visto-me e saio em disparada rumo ao ponto de ônibus. Espero por intermináveis quinze minutos o 433 passar. Sento-me no local mais perto da porta, e o que me restava a partir daquele instante era esperar e rezar.

Salto no ponto de ônibus em frente ao Rio Sul às dez horas em ponto, no limite do relógio e do meu horário marcado. Subo em disparada as milhares de escadas rolantes, esbarro com um rapaz, que fica visivelmente irritado com a minha afobação, a qual beirava a total falta de modos. Peço desculpas ainda andando, e deixo o pobre rapaz a resmungar sobre a situação. Entro em rompante no posto da Polícia Federal às dez horas e seis minutos, meu nome já havia sido chamado. Porém, eu não sabia, por isso fiquei sentado por uns quatro minutos esperando o chamado. Até que o pensamento de estar atrasado me faz perguntar à senhora da frente se algum “Pedro Henrique” havia sido chamado, ela balança cabeça positivamente, e diz que a vez tinha sido passada. Desespero, aflição, medo. Mistura de sentimentos.

Aproximo-me da porta e espero a atendente aparecer. Digo que estava atrasado, peço desculpas, e por um breve momento de imensa sabedoria invento uma desculpa: “Desculpa, eu estava em prova na UERJ. Só pude chegar agora, quando eu marquei há dois meses não sabia que teria prova no mesmo dia”. A desculpa foi aceita, o que é raro, afinal os servidores públicos desse país detestam adiantar a vida dos cidadãos. Momento de glória. Tenho a clara impressão que uma gota de lágrima desce em meus olhos.

Sento-me na cadeira, entrego os documentos. Justifico a inexistência de certificado militar e comprovantes de votações devido à minha pouca idade. A atendente sorri, e diz que não tem problemas. Apresento meu antigo passaporte, o qual é devidamente furado para ser invalidado. E lá se vai a história de uma outra viagem aos Estados Unidos. Com um momento de nostalgia lembro-me da Disney, do aeroporto. Sinto-me feliz, voltarei aos Estados Unidos em breve.

Depois da apresentação de documentos o momento mais tenso: Assinatura no leitor digital. Pego a caneta, assino e não vejo nada. A assinatura vai direto para tela do computador, de forma horrenda, mas enfim, pelo menos estava lá. Faço minhas digitais no leitor, tiro minha foto e pronto. Recebo o protocolo com o dia do recebimento do passaporte. Abro um sorriso, agradeço e me levanto. Missão cumprida.

Anotação mental: Lembrar da aula de Direito e Pensamento Politico, o auto-engano. Cinco minutos jamais são apenas cincos minutos.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Porque fazer um Diário de Viagem?


Talvez essa pergunta seja bem mais fácil de ser respondida do que a primeira. Acho que meu primeiro contato com um diário de viagem ocorreu num livro de ficção, o famoso “A volta ao mundo em 80 dias” do escrito Júlio Verne. Desde daquele dia que comecei a ler esse livro fiz a promessa a mim mesmo de fazer uma narrativa com as minhas experiências.

Um diário de viagem não serve apenas para que sejam guardadas lembranças daqueles momentos vividos em seu intercâmbio, mas, sobretudo, serve para, durante o tempo em que estiver fora, aproximar-se de sua família e amigos. Afinal, três meses passam muito rápido para quem está viajando, mas podem se tornar uma eternidade para as pessoas que deixamos.

Pretendo escrever esse diário não apenas com os fatos que viverei em meu intercâmbio. Gostaria de compartilhar minhas experiências na preparação de minha viagem, desde a renovação do passaporte, a entrevista do visto no consulado norte americano, e o tão esperado embarque. Por esse motivo começo a escrever seis meses antes da viagem.

Na próxima sexta feira tenho marcada a renovação do meu passaporte. Depois de longos dois meses de espera, o dia marcado para renovação se aproxima. Eu sinceramente não consigo entender como a Polícia Federal demora tanto tempo para marcar uma simples apresentação de documentos. Hoje em dia no Brasil a burocracia para se viajar é mais longa que a própria viagem em si.

Mas enfim, voltando para o diário de viagem. Acredito que quando aceitamos fazer qualquer viagem assinamos um livro em branco, que fica a espera de ser preenchido com a nova vivência. Por muitas vezes passamos por situações que ficam marcadas para sempre em nossas memórias, que serão motivos de muitas conversas depois da volta. Entretanto, algumas situações não tão especiais também merecem ser registradas. Essa é a graça de um diário de viagem. Ele não é composto apenas pelos momentos magníficos, certamente terá momentos que sentarei em frente ao computador e não terei o que escrever, mas a obrigação de dar noticia aos amigos dará a inspiração necessária para que as páginas em branco sejam preenchidas.

Se eu pudesse dar meu primeiro conselho a quem irá viajar esse seria: faça um diário de viagem! Você se surpreenderá anos mais tarde com a quantidade de coisas que jamais passariam por sua cabeça, mas que de fato aconteceram.

Aqui embaixo um video sobre a experiência do intercâmbio de um grupo de amigos, postado pelo meu amigo Caio Miranda no meu facebook. Espero que gostem

http://www.youtube.com/watch?v=SCOp11ppvF4