quinta-feira, 30 de junho de 2011

Porque fazer um Diário de Viagem?


Talvez essa pergunta seja bem mais fácil de ser respondida do que a primeira. Acho que meu primeiro contato com um diário de viagem ocorreu num livro de ficção, o famoso “A volta ao mundo em 80 dias” do escrito Júlio Verne. Desde daquele dia que comecei a ler esse livro fiz a promessa a mim mesmo de fazer uma narrativa com as minhas experiências.

Um diário de viagem não serve apenas para que sejam guardadas lembranças daqueles momentos vividos em seu intercâmbio, mas, sobretudo, serve para, durante o tempo em que estiver fora, aproximar-se de sua família e amigos. Afinal, três meses passam muito rápido para quem está viajando, mas podem se tornar uma eternidade para as pessoas que deixamos.

Pretendo escrever esse diário não apenas com os fatos que viverei em meu intercâmbio. Gostaria de compartilhar minhas experiências na preparação de minha viagem, desde a renovação do passaporte, a entrevista do visto no consulado norte americano, e o tão esperado embarque. Por esse motivo começo a escrever seis meses antes da viagem.

Na próxima sexta feira tenho marcada a renovação do meu passaporte. Depois de longos dois meses de espera, o dia marcado para renovação se aproxima. Eu sinceramente não consigo entender como a Polícia Federal demora tanto tempo para marcar uma simples apresentação de documentos. Hoje em dia no Brasil a burocracia para se viajar é mais longa que a própria viagem em si.

Mas enfim, voltando para o diário de viagem. Acredito que quando aceitamos fazer qualquer viagem assinamos um livro em branco, que fica a espera de ser preenchido com a nova vivência. Por muitas vezes passamos por situações que ficam marcadas para sempre em nossas memórias, que serão motivos de muitas conversas depois da volta. Entretanto, algumas situações não tão especiais também merecem ser registradas. Essa é a graça de um diário de viagem. Ele não é composto apenas pelos momentos magníficos, certamente terá momentos que sentarei em frente ao computador e não terei o que escrever, mas a obrigação de dar noticia aos amigos dará a inspiração necessária para que as páginas em branco sejam preenchidas.

Se eu pudesse dar meu primeiro conselho a quem irá viajar esse seria: faça um diário de viagem! Você se surpreenderá anos mais tarde com a quantidade de coisas que jamais passariam por sua cabeça, mas que de fato aconteceram.

Aqui embaixo um video sobre a experiência do intercâmbio de um grupo de amigos, postado pelo meu amigo Caio Miranda no meu facebook. Espero que gostem

http://www.youtube.com/watch?v=SCOp11ppvF4

terça-feira, 28 de junho de 2011

Porque NÃO fazer Intercâmbio?



Porque fazer um intercâmbio? Talvez essa seja a pergunta mais recorrente feita a mim. No inicio eu demorava a responder, ficava meio sem graça, sem jeito. Sentia-me um pouco maluco, afinal de contas porque eu iria fazer um intercâmbio? Afinal, eu vivo em um dos países mais bonitos do mundo, em uma cidade cuja alcunha principal é maravilhosa. Um país que está na linda e mais animadora estação durante o ano inteiro: o verão. Teria eu menos orgulho de ser brasileiro, por isso a necessidade de viver em terras além mar? Bem, acho que não, apesar de muitas vezes criticar os conhecidos problemas do Brasil, não me imagino sem o futebol, sem o majestoso Maracanã, sem a praia de Ipanema, da garota que vem e que passa com seu doce balanço a caminho do mar.

No inicio sempre respondia com a tradicional resposta de todo intercambista: “Será bom para o meu currículo”. Nossa! Que resposta vaga e sem sentido, resumir a experiência de viver em outro país à uma linha em seu currículo. Não, definitivamente, essa nunca foi e nunca será uma boa resposta. Nem ao menos chegava perto. Lembro-me que depois dessas perguntas eu ficava durante o resto do dia refletindo o motivo dessa aventura, e foi em uma dessas reflexões que decidi escrever esse blog. Mas os motivos para escrever um blog sobre minha viagem terão seu espaço devidamente reconhecido em outra postagem, voltemos ao assunto inicial.

Certa vez no meu curso de inglês fiz essa mesma pergunta a minha professora: “Porque fazer um Intercâmbio?” A resposta dela foi uma das coisas mais incríveis que já escutei em minha vida, certamente aquela era a resposta que eu deveria utilizar a partir daquele momento. Ela simplesmente respondeu com outra pergunta : “Pedro, porque você não deveria fazer um intercâmbio?” Foi um momento de catarse digno de livros de Clarice Lispector.

Apesar da saudade, se você realmente possuir condições de estudar fora , não existem motivos para não fazê-lo. Conhecer um novo país; aprender ou aprimorar um idioma; conhecer a cultura local, e a cultura de dezena de outros países trazidas na bagagem de outros intercambistas, e claro transmitir a sua própria cultura; conquistar independência, aprendendo a se virar sozinho; ganhar aquela linha extra no seu currículo; conhecer os principais cartões-postais do mundo; fazer compras sem os impostos imorais brasileiros. Enfim, os motivos de se fazer um intercâmbio são tantos, que cada qual mereceria um próprio texto. E me atrevo a dizer que poderia ser injusto esquecendo-me de citar tanto outros. Portanto, como não sou pessoa de cometer injustiças, hoje em dia apenas respondo com a aquela pergunta feita pela minha linda professora: “Porque não fazê-lo?” E deixo aqueles que perguntaram de queixos caídos, sem resposta, pois aquela tentativa maliciosa de reduzir esse momento mágico fora desconstruída.