
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
O intercambio , finalmente, comecou!

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
Primeiras mas e boas impressoes
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
Primeiros detalhes fazendo a diferença.

Em 10 de julho em um dos meus primeiros textos escrevi: “Ou seja, nem tudo será perfeito quando chegar ao local planejado para viagem. E serão esses pequenos detalhes que farão a diferença, os pequenos problemas que te tirariam do sério se fossem previstos farão a diferença. (...) Viva os pequenos detalhes que fizeram a diferença. Escrevo hoje sem saber quais serão esses detalhes.” Nunca algo que havia escrito fez tanto sentido quanto fez hoje para mim. Na quarta feira recebi a informações da minha “host family”, a casa onde eu iria ficar. Seria um casal sem filhos de meia idade, com uma distância de trinta minutos do campus onde vou estudar. Mandei um email para eles me apresentando, enfim para confirmar se tudo estava certo. O email não foi respondido, e no dia seguinte fiquei na procura frenética pelo DDD da cidade. Não encontrei. Hoje, véspera da viagem,liguei para Telemar e finalmente consegui o DDD de Whittier - 00XX1562. Com muita ansiedade liguei para a família, pois não sabia se meu inglês seria compreendido mas tive que arriscar. Tive duas surpresas, vamos primeiro para a boa: meu inglês é melhor do que eu imaginava, e a moça me compreendeu muito bem. A segunda surpresa, essa sim desagradável: Ela não fazia menor idéia de que eu estaria viajando domingo para ficar em sua casa, apesar de conhecer o curso e já ter participado dessa atividade. Ela me aconselhou ligar para escola.
Desliguei o telefone meio atoardo, e não acreditando no que tinha escutado, só podia ser brincadeira. Enfim, peguei meu telefone e liguei para escola, novamente a comunicação fluiu de maneira satisfatória. A moça pediu desculpas pelo erro, disse que iriam checar as informações. Depois pediu meu email para contato. Foi nesse momento que começou a minha “via crucis”. Bem, como explicar o que seria o traço entre “Pedro-henrique-moreira” em inglês? Fiz meu primeiro malabarismo lingüístico, quando estava quase finalizando, a ligação caiu.
Desespero novamente. Redisquei. Fui atendido pela mesma moça, e pedi para que fizéssemos o inverso que ela falasse o email dela, assim eu enviaria uma mensagem e ela me responderia. Depois de alguns minutos de SOLETRANDO, ao estilo Caldeirão do Huck, consegui mandar o email para ela, e receber as informações corretas sobre onde iria ficar.
É nesse momento que aquele texto antigo volta à tona. O grande erro de endereço foi sadio, acabei alocado para uma “host family” a 5 minutos do campus. E o senhor que irá me receber foi extremamente prestativo e caloroso na ligação, deu-me muitas informações uteis e disse que esperava que eu aproveitasse a estadia. O detalhe não esperado de erro da família se tornou em um grande benefício para mim. Não precisarei mais pegar transporte e perder muito tempo no deslocamento.E ainda por cima terei internet na casa. Que fique o conselho ligue para sua família antes de viajar, erros podem acontecer. E acima de tudo aceite tudo de bom humor, as coisas podem melhorar quando você menos espera.
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Malas prontas, chegou a hora de dizer: "Até Logo, Brasil!"
Depois do visto concedido e recebido em casa chegou a hora de fazer as malas. Há quem considere o momento mais chato do pré embarque. Não compactuo desse exagero, afinal enfrentar filas na policia federal e no consulado americano foram momentos igualmente irritantes, e consumiram muito mais tempo do que o “simples” ato de separação de pertences
Bem, como sou carioca acostumado com temperaturas em média de 20 graus no inferno, e horrendos 40 graus(ou até mesmo mais) no verão tive que comprar muitas roupas de frio para viagem. Los Angeles não está entre os top dez lugares mais frios dos Estados Unidos, mas certamente estará muito mais frio do que estou habituado- em média 10 graus no inferno. Depois do meu banho de loja chegou o momento de “empacotar” tudo na mala. Dobra aqui, ajeita ali, chega para lá. Quantas camisas levar? Calças? Roupas íntimas? Momentos de “estou levando roupa demais”, seguidos de esvaziamento da mala. Posteriormente arrependimento “nossa, vou ficar três meses, tem pouca roupa” seguido de corrida para o armário em busca de algum objeto de qual nutro algum carinho especial e que não conseguiria viver sem – natural exagero. Sugiro a quem deseja fazer um intercâmbio que prepare uma mala para vinte dias de viagens, afinal roupas serão lavadas etc. Não precisamos levar nosso guarda roupa inteiro, até porque pagaríamos uma nota em excesso de bagagem.
Ao término dessa odisseia posiciono lentamente minha camisa do Vasco e a bandeira do Brasil sobre todos os meus pertences, como se tivesse pedindo uma benção aos dois símbolos das minhas origens. Além de estudante em Los Angeles serei um porta-voz da cultura brasileira, não receberei o salário de um diplomata, mas através do choque cultural apresentarei aos americanos e aos demais estudantes um pouco do Brasil. Sinto-me lisonjeado de possuir tal honraria, não fui nomeado por ninguém. Todavia, aceito a missão com maior satisfação e prazer do mundo.
Malas prontas, chegou a hora de dizer: "Até Logo, Brasil!"
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
E, finalmente, chega o dia do Visto.


Eram dez e meia da manhã, a fila fora do Consulado já era perceptível. Dezenas de pessoas das mais diversas profissões e origens. Todas com suas próprias expectativas de viagem e interesses. Alguns estudantes na fila, um sargento fardado do exército brasileiro, uma senhorinha que viajaria pela primeira vez de avião para Nova Iorque sendo bancada pela filha. Enfim, pessoas diferentes mas com semblantes parecidos, a tensão tomava conta da fila ao meio da orientação das pessoas do consulado na separação do passaporte e dos documentos mais importantes. Nesse clima de tensão, o Sargento teve a noticia que havia esquecido um documento, pensando estar em seu quartel aumentou seu tom de voz com a menina que estava ali somente pra ajudar.
Despeço-me do meu pai, a entrada sozinha é obrigatória para maiores de dezoito anos. E, finalmente, entro no consulado. Passo pelo detector de metais e minha pasta com os documentos pelo Raio X. Felizmente nada perigoso entre meus pertences, sigo meu caminho para buscar minha senha. Número 603. Havia pelo menos umas cinqüentas pessoas na minha frente, a tensão permaneceria por alguns instantes. Abro meu livro de José de Alencar, folheio algumas páginas, não consigo me concentrar. Pego o folheto distribuído e vejo meus direitos como “não-imigrante”. Na teoria serei magicamente bem recebido em Los Angeles. Penso por um instante nos milhares de brasileiros que possuem problemas com o governo norte americano. O suor escorre pelo meu rosto, não pela refrigeração. Confesso que o ambiente estava bem climatizado, mas a tensão continua. Pego novamente meu livro do romântico José de Alencar. Para que tantos advérbios e adjetivos? Eu já havia entendido que Aurélia era uma moça muito rica, a obra prima não são os milhares de detalhes explicados detalhadamente (perdoe a redundância, ainda estou no espírito romântico), mas, sobretudo, a história.
SENHAS: 607 591 603 600 598
E de súbito escuto meu número ser chamado, volto a realidade. Esqueço-me totalmente da triste sina de Aurélia na escolha de seu pretendente e volto para a tensão. Sou conduzido para uma nova sala junto com seiscentos e sete, quinhentos e noventa e um, seiscentos e quinhentos e noventa e oito. Meus amigos sem nomes, numerados mas que vivem a mesma cena de tensão da entrada. Nossas digitais são retiradas. Nesse momento sorrio com a pronuncia da palavra " direita" da senhora do consulado, e sou conduzido para mais uma nova fila, a das entrevistas.
Esse é o momento onde você começa suar como tivesse jogada uma partida de futebol inteira com prorrogação. Sua perna treme. Você começa a escutar a perguntas dos entrevistadores através do vidro com o microfone para as outras pessoas – sim não há privacidade, todos sabem para onde você vai e o que vai fazer. As perguntas feitas a outras pessoas são sendo respondidas mentalmente com suas informações. E chegada a hora, o dialogo é rápido, mas a duração é quase eterna:
Aquele momento mágico no qual você finalmente confirma que irá viajar, e que tudo deu certo. Confesso que sai do Consulado meio zonzo,meio atoardo ainda com medo de ser negado. Ainda tive que ouvir do lado de fora as reclamações do Sargento que havia gritado com a menina que teve o visto para sua inteira negado. Isso me fez lembrar os avisos do meu pai: “Pedro, a conduta dentro e fora do Consulado contam muito” Realmente, ele estava certo. Fico com pena da família dele, mas acho que ele poderia ter sido mais cortês com a moça que o tentava ajudar. O estudante e a senhorinha também tiveram os vistos concedidos, fiquei feliz por eles também. Ainda meio alto, fiz meu pai ir nos correios pagar a taxa do sedex para mim. Estava sem pernas e sem raciocínio para fazê-lo. Em breve, receberei meu passaporte com meu visto em casa, e a partir daí é só arrumar as malas. E como diria Lulu Santos:
Garota , eu vou para Califórnia ♪
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Um poema é o que acontece quando uma ansiedade encontra uma técnica.

(Minha coisa favorita é ir onde eu nunca estive - Diane Arbus)
Certa vez um poeta disse que “Um poema é o que acontece quando uma ansiedade encontra uma técnica”, tendo em vista que não tenho técnica ficaremos sem o poema. Mas não sem um texto para marcar o dia de hoje. Falta exatamente um mês para o meu intercâmbio.
Hoje foi um dia atípico, não tive aula devido ao ponto facultativo estadual. Entretanto, eu passei o dia inteiro estudando pois minhas provas estão chegando , ou seja, sem muito tempo pra pensar no meu intercambio. Todavia, ao final da noite olhei meu calendário e notei o óbvio, e por isso não podia deixar essa data passar em branco. Muitas coisas passaram na minha cabeça. Desde minha primeira viagem de avião a Portugal, quando no alto da minha curiosidade infantil questionei meu pai sobre o significado dos pingentes de bandeira no terno do comissário de bordo. A resposta foi simples, mas foi marcante: “São todos os idiomas que ele fala, filho, ele é um poliglota.” Eu não sabia que uma pessoa poderia falar tantos idiomas, não sei dizer se minha memória me engana mas tenho quase certeza que eram quase mais de dez bandeiras. Eu fiz uma promessa desde então: “Pai, eu vou ser um poliglota.” Bem, confesso que até hoje só falo inglês e português, arranho a leitura de espanhol, estou bastante longe daquele objetivo daquela criança de quatro anos de idade. No entanto, eu sei que minha paixão do inglês nasceu dali, e meu pai ri até hoje quando lembra essa história.
A vida certamente é feita de sonhos, e partir daquele momento meu sonho não era apenas falar mais de um idioma, era conhecer o mundo. Minha paixão por viajar, por estar onde nunca estive se iniciou naquela viagem a Portugal. Confesso que lembro pouco, ou quase nada, daquela viagem. Eu era muito pequeno, mais alguns "flashes" ainda passam pela minha mente, e se hoje faço direito visando a área internacional foi devido aquela viagem tenho certeza disso
Meu intercambio marcará minha vida, viverei imerso em um idioma que não tenho o domínio, e isso faltando um mês para viagem somado a ansiedade começa a provocar medo em mim. Não um medo ruim, mas um medo motivador daqueles que um jogador de futebol sente ao entrar em campo antes da grande decisão. O medo daqueles que por tantos anos sonharam e até mesmo duvidaram que seria possível concretizar seus desejos. Estou prestes a realizar um sonho. E como um bom brasileiro que sou não poderia terminar esse post de outra forma que não fosse samba:
“Sonhar não custa nada
O meu sonho é tão real
Mergulhei nessa magia
Era tudo que eu queria
Para ese carnaval
Deixe a sua mente vagar
Não custa nada sonhar
Viajar nos braços do infinito
Onde tudo é mais bonito
Nesse mundo de ilusão
Transformar o sonho em realidade
E sonhar com a mocidade
E sonhar com o pé no chão” (Mocidade Independente de Padre Miguel - Sonhar não custa nada!)
"Existem duas coisas que impedem uma pessoa de realizar os seus sonhos: achar que eles são impossíveis, ou, através de uma súbita virada na roda do destino, vê-los transformarem-se em algo possível quando menos se espera.Pois neste momento surge o medo de um caminho que não se sabe onde vai dar, de uma vida com desafios desconhecidos, da possibilidade que as coisas com que estamos acostumados desapareçam para sempre.As pessoas querem mudar tudo, e ao mesmo tempo desejam que tudo continue igual.Muitas vezes acostumamos com a derrota, e qualquer chance de vitória torna-se um fardo pesado demais para carregar ou somos covardes demais para mudar o destino." (Paulo Coelho)
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
Dream of Californication...
Aquela banda californiana que move milhares de fãs ao redor do mundo e mesmo assim consegue ser critica com as suas próprias origens. Quando eles tocaram ao vivo “Californication”, meu mundo quase desabou. Foram minutos de reflexão sobre a viagem que se aproximava, sobre o sonho que estarei realizando dentro um pouco mais de dois meses. As lágrimas eu segurei, mas a emoção de cantar aos berros não.
Um das decisões mais difíceis na hora de fazer um intercâmbio sem dúvida é a escolha do destino. Ainda mais se você deseja aprender inglês. Existem opções das mais variadas, desde países tradicionais como os Estados Unidos e a Inglaterra, até países mais exóticos como Nova Zelândia e Cingapura. Todos os destinos possuem suas vantagens e desvantagens, não existe um lugar perfeito no mundo, existe sim o lugar perfeito para você.
Diversos fatores me fizeram escolher a Califórnia, além de estar situada no país via de regra visto como liderança global. Por exemplo, o clima mais ameno do que o frio descomunal no Canadá, outro local preferido dos intercambistas. Por pouco não fui para Nova Zelandia, mas acredito que necessitava de uma experiência nos Estados Unidos, principalmente visando meu currículo.
A Califórnia é o lugar dos sonhos para aqueles que sempre foram amantes de Hollywood, meu sonho será realizado em breve. Só tenho a agradecer aos meus pais por essa oportunidade única. E aos meus amigos por um final de semana perfeito de muito rock e histórias que guardarei para o resto da minha vida!
