quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Um poema é o que acontece quando uma ansiedade encontra uma técnica.


(Minha coisa favorita é ir onde eu nunca estive - Diane Arbus)

Certa vez um poeta disse que “Um poema é o que acontece quando uma ansiedade encontra uma técnica”, tendo em vista que não tenho técnica ficaremos sem o poema. Mas não sem um texto para marcar o dia de hoje. Falta exatamente um mês para o meu intercâmbio.

Hoje foi um dia atípico, não tive aula devido ao ponto facultativo estadual. Entretanto, eu passei o dia inteiro estudando pois minhas provas estão chegando , ou seja, sem muito tempo pra pensar no meu intercambio. Todavia, ao final da noite olhei meu calendário e notei o óbvio, e por isso não podia deixar essa data passar em branco. Muitas coisas passaram na minha cabeça. Desde minha primeira viagem de avião a Portugal, quando no alto da minha curiosidade infantil questionei meu pai sobre o significado dos pingentes de bandeira no terno do comissário de bordo. A resposta foi simples, mas foi marcante: “São todos os idiomas que ele fala, filho, ele é um poliglota.” Eu não sabia que uma pessoa poderia falar tantos idiomas, não sei dizer se minha memória me engana mas tenho quase certeza que eram quase mais de dez bandeiras. Eu fiz uma promessa desde então: “Pai, eu vou ser um poliglota.” Bem, confesso que até hoje só falo inglês e português, arranho a leitura de espanhol, estou bastante longe daquele objetivo daquela criança de quatro anos de idade. No entanto, eu sei que minha paixão do inglês nasceu dali, e meu pai ri até hoje quando lembra essa história.

A vida certamente é feita de sonhos, e partir daquele momento meu sonho não era apenas falar mais de um idioma, era conhecer o mundo. Minha paixão por viajar, por estar onde nunca estive se iniciou naquela viagem a Portugal. Confesso que lembro pouco, ou quase nada, daquela viagem. Eu era muito pequeno, mais alguns "flashes" ainda passam pela minha mente, e se hoje faço direito visando a área internacional foi devido aquela viagem tenho certeza disso

Meu intercambio marcará minha vida, viverei imerso em um idioma que não tenho o domínio, e isso faltando um mês para viagem somado a ansiedade começa a provocar medo em mim. Não um medo ruim, mas um medo motivador daqueles que um jogador de futebol sente ao entrar em campo antes da grande decisão. O medo daqueles que por tantos anos sonharam e até mesmo duvidaram que seria possível concretizar seus desejos. Estou prestes a realizar um sonho. E como um bom brasileiro que sou não poderia terminar esse post de outra forma que não fosse samba:


“Sonhar não custa nada
O meu sonho é tão real
Mergulhei nessa magia
Era tudo que eu queria
Para ese carnaval
Deixe a sua mente vagar
Não custa nada sonhar
Viajar nos braços do infinito
Onde tudo é mais bonito
Nesse mundo de ilusão
Transformar o sonho em realidade
E sonhar com a mocidade
E sonhar com o pé no chão” (Mocidade Independente de Padre Miguel - Sonhar não custa nada!)

"Existem duas coisas que impedem uma pessoa de realizar os seus sonhos: achar que eles são impossíveis, ou, através de uma súbita virada na roda do destino, vê-los transformarem-se em algo possível quando menos se espera.Pois neste momento surge o medo de um caminho que não se sabe onde vai dar, de uma vida com desafios desconhecidos, da possibilidade que as coisas com que estamos acostumados desapareçam para sempre.As pessoas querem mudar tudo, e ao mesmo tempo desejam que tudo continue igual.Muitas vezes acostumamos com a derrota, e qualquer chance de vitória torna-se um fardo pesado demais para carregar ou somos covardes demais para mudar o destino." (Paulo Coelho)



segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Dream of Californication...

Semana de Rock In Rio, a cidade simplesmente parou! Esse evento consegue mobilizar não apenas o Rio, não somente o Brasil, mas como o mundo inteiro. E eu estava lá! Sábado, dia 24 de Setembro de 2011, show do Red Hot Chili Peppers. E o que isso tem a ver com meu Intercambio? Tudo. Aquela banda californiana que move milhares de fãs ao redor do mundo e mesmo assim consegue ser critica com as suas próprias origens. Quando eles tocaram ao vivo “Californication”, meu mundo quase desabou. Foram minutos de reflexão sobre a viagem que se aproximava, sobre o sonho que estarei realizando dentro um pouco mais de dois meses. As lágrimas eu segurei, mas a emoção de cantar aos berros não.


Um das decisões mais difíceis na hora de fazer um intercâmbio sem dúvida é a escolha do destino. Ainda mais se você deseja aprender inglês. Existem opções das mais variadas, desde países tradicionais como os Estados Unidos e a Inglaterra, até países mais exóticos como Nova Zelândia e Cingapura. Todos os destinos possuem suas vantagens e desvantagens, não existe um lugar perfeito no mundo, existe sim o lugar perfeito para você.

Diversos fatores me fizeram escolher a Califórnia, além de estar situada no país via de regra visto como liderança global. Por exemplo, o clima mais ameno do que o frio descomunal no Canadá, outro local preferido dos intercambistas. Por pouco não fui para Nova Zelandia, mas acredito que necessitava de uma experiência nos Estados Unidos, principalmente visando meu currículo.

A Califórnia é o lugar dos sonhos para aqueles que sempre foram amantes de Hollywood, meu sonho será realizado em breve. Só tenho a agradecer aos meus pais por essa oportunidade única. E aos meus amigos por um final de semana perfeito de muito rock e histórias que guardarei para o resto da minha vida!







terça-feira, 19 de julho de 2011

Vôos, escalas, conexões – O desespero de uma viagem Internacional.

Quem inventou as conexões dos vôos internacionais? Sim, eu preciso dessa informação. Primeiro para parabenizar do ponto de vista empresarial, afinal foi uma idéia genial,encher os aviões com conexões de várias partes do mundo, todavia, só existe esse ponto como positivo. E segundo para agradecer ironicamente pelas horas em um aeroporto de uma cidade que não tinha a menor pretensão de visitar. Esse é um ponto muito mais do que negativo. Já não bastassem as horas dentro do avião, esse cidadão nos deu acréscimo de hora de viagens, pensando no bolso dele, jamais no conforto para os passageiros.

Essa semana estive na minha busca incessante pela minha passagem com destino à Los Angeles, local do meu intercâmbio. Visitei diversos sites das mais variadas companhias aéreas, consultei preços, os aviões os quais eu embarcaria. Obviamente, a margem de preço era bastante variada, não irei fazer propaganda de nenhuma companhia aérea, afinal não ganho para isso, (mas poderia ganhar, estou aberto a patrocínios para o meu site hehehe). Senão bastassem os preços diferentes; as facilidades oferecidas por uma e outra; os tipos de aeronave; corredor ou janela; deparei-me com a necessidade de escolher em qual lugar eu faria a maldita conexão.

Pela distância geográfica não existem vôos diretos para Califórnia, e foi a partir desse momento que o inferno começou. Discuti durante horas com meu pai se eu deveria fazer a conexão em Miami do outro lado dos Estados Unidos me adicionando assim mais algumas horas dentro do avião. Depois surgiu a sugestão de conexão em Dallas- aeroporto esse que eu já conhecia, pois havia feito uma conexão lá quando viajei para Orlando em 2006. E a opção mais barata que a cada dia mais se populariza: a conexão na cidade do Panamá. Nada contra o país e a cultura local, mas descer em um país que não domino o idioma, por uma companhia aérea com aviões não tão novos era uma opção pouco atraente.

Como sempre fui salvo pelos meus queridos amigos. Depois de postar meu desespero via facebook recebi dezenas de sugestões, e a que eu acatei foi a de fazer conexão em Houston. Ficarei duas horas e meia no aeroporto George Bush, mas em compensação de Houston para Los Angeles levarei apenas três horas de vôo. Preferi escolher a poltrona da janela, afinal poderei encostar a cabeça e dormir sem maiores problemas.

Então, fica ai minha sugestão a quem pretende ir para Califórnia e não tem a menor idéia por qual conexão começar a pesquisar. E tomem cuidado com o tempo de espera entre as conexõs, o ideal é que seja um tempo intermediário, nem muito nem pouco. Afinal, se o avião atrasar você tem quer ter tempo hábil para o deslocamento para a próxima aeronave. Em dezembro contarei a vocês se fiz uma boa escolha ou não.

domingo, 10 de julho de 2011

Basta! Viajar eu vou!

¹

Às vezes nossa vida muda drasticamente sem ao menos perguntar se estamos preparados para isso. Um olhar, um piscar de olhos, e tudo mudou. Outras vezes tudo parece tão igual, tão monótono que existe uma necessidade quase que vital de uma mudança. Você olha para suas roupas não se sente mais bem nelas, pensa em suas escolhas e simplesmente não as aceita mais. Ouve seus amigos e suas dezenas de conversas sem sentido, destaca-se do grupo, pois existe uma vontade de observar e perceber o quanto daquilo é real, e o quanto parte daquele grupo você faz. Chega à conclusão que aquelas pessoas vivem muito bem sem você, seus planos de vida já estão traçados, seus amores platônicos vivenciados e você? O que te tornou essa pessoa que nem ao menos aceita a rotina que leva? Chegou a hora de viajar.

Viajar não apenas no sentido literal da palavra, mas, sobretudo, chegou a hora de viajar metaforicamente ao seu inconsciente. Descobrir seus defeitos; suas qualidades; seus sonhos; seus desejos a curto, médio e longo prazo. Chegou a hora de aprender que nada na vida é eterno, nem mesmo você. É o momento de renovar seu passaporte, enfiar aquelas roupas velhas e surradas- as quais já não te satisfazem- dentro daquela mala da sua última viagem de anos, anos atrás. Deixar para trás todos seus problemas e aflições, e obviamente até mesmo seu statu quo² de segurança. Aquilo que te define como ser humano será deixado para trás. O momento é de reinvenção.

Enquanto faz os preparativos para sua viagem seu pensamento é um só: “tudo será perfeito quando chegar a meu destino”. A grande surpresa do seu pensamento é que o destino não significa apenas o local escolhido para a viagem, o destino possui sim aquele sentido mais amplo de objetivo de vida. Ou seja, nem tudo será perfeito quando chegar ao local planejado para viagem. E serão esses pequenos detalhes que farão a diferença, os pequenos problemas que te tirariam do sério se fossem previstos farão a diferença. Afinal, como assim a casa para onde irei não terá uma máquina de lavar? Como assim terei que andar até a cidade para lavar minhas roupas? Esse seria seu pensamento antes da viagem. Felizmente, durante a viagem a oportunidade de visitar uma lavanderia no centro da cidade será uma ótima oportunidade de conhecer o local, fazer novas amizades e emergir na cultura. Seu objetivo foi alcançado, sua rotina de lavar as roupas em casa foi deixada para trás. Viva os pequenos detalhes que fizeram a diferença

Escrevo hoje sem saber quais serão esses detalhes, mas com o sentimento de que é preciso mudar. É preciso me reinventar. Minhas antigas roupas, desculpas e respostas já não são mais suficientes. Basta! Viajar eu vou!



¹Tradução da Placa: " Mudanças: Próxima Saída."
²statu quo (da expressão in statu quo res erant ante bellum) é uma expressão latina que designa o estado atual das coisas, seja em que momento for.

sábado, 2 de julho de 2011

Passaporte: Com emoção ou sem emoção?


Depois de dois meses de espera o dia chegou. Meu horário marcado para apresentação dos documentos na Polícia Federal era às dez horas da manhã no Shopping Rio Sul. Resolvo acordar oito e meia para ter certa tranqüilidade, e não ter problemas de atraso. Todavia, como de costume nada do que planejamos sai de fato como o esperado. O despertador toca e eu resolvo ter mais cinco minutos de sono, tais minutos que se tornaram vinte. E sim eu já estava atrasado.

Levanto-me correndo em direção ao banheiro, tomo um banho rápido, visto-me e saio em disparada rumo ao ponto de ônibus. Espero por intermináveis quinze minutos o 433 passar. Sento-me no local mais perto da porta, e o que me restava a partir daquele instante era esperar e rezar.

Salto no ponto de ônibus em frente ao Rio Sul às dez horas em ponto, no limite do relógio e do meu horário marcado. Subo em disparada as milhares de escadas rolantes, esbarro com um rapaz, que fica visivelmente irritado com a minha afobação, a qual beirava a total falta de modos. Peço desculpas ainda andando, e deixo o pobre rapaz a resmungar sobre a situação. Entro em rompante no posto da Polícia Federal às dez horas e seis minutos, meu nome já havia sido chamado. Porém, eu não sabia, por isso fiquei sentado por uns quatro minutos esperando o chamado. Até que o pensamento de estar atrasado me faz perguntar à senhora da frente se algum “Pedro Henrique” havia sido chamado, ela balança cabeça positivamente, e diz que a vez tinha sido passada. Desespero, aflição, medo. Mistura de sentimentos.

Aproximo-me da porta e espero a atendente aparecer. Digo que estava atrasado, peço desculpas, e por um breve momento de imensa sabedoria invento uma desculpa: “Desculpa, eu estava em prova na UERJ. Só pude chegar agora, quando eu marquei há dois meses não sabia que teria prova no mesmo dia”. A desculpa foi aceita, o que é raro, afinal os servidores públicos desse país detestam adiantar a vida dos cidadãos. Momento de glória. Tenho a clara impressão que uma gota de lágrima desce em meus olhos.

Sento-me na cadeira, entrego os documentos. Justifico a inexistência de certificado militar e comprovantes de votações devido à minha pouca idade. A atendente sorri, e diz que não tem problemas. Apresento meu antigo passaporte, o qual é devidamente furado para ser invalidado. E lá se vai a história de uma outra viagem aos Estados Unidos. Com um momento de nostalgia lembro-me da Disney, do aeroporto. Sinto-me feliz, voltarei aos Estados Unidos em breve.

Depois da apresentação de documentos o momento mais tenso: Assinatura no leitor digital. Pego a caneta, assino e não vejo nada. A assinatura vai direto para tela do computador, de forma horrenda, mas enfim, pelo menos estava lá. Faço minhas digitais no leitor, tiro minha foto e pronto. Recebo o protocolo com o dia do recebimento do passaporte. Abro um sorriso, agradeço e me levanto. Missão cumprida.

Anotação mental: Lembrar da aula de Direito e Pensamento Politico, o auto-engano. Cinco minutos jamais são apenas cincos minutos.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Porque fazer um Diário de Viagem?


Talvez essa pergunta seja bem mais fácil de ser respondida do que a primeira. Acho que meu primeiro contato com um diário de viagem ocorreu num livro de ficção, o famoso “A volta ao mundo em 80 dias” do escrito Júlio Verne. Desde daquele dia que comecei a ler esse livro fiz a promessa a mim mesmo de fazer uma narrativa com as minhas experiências.

Um diário de viagem não serve apenas para que sejam guardadas lembranças daqueles momentos vividos em seu intercâmbio, mas, sobretudo, serve para, durante o tempo em que estiver fora, aproximar-se de sua família e amigos. Afinal, três meses passam muito rápido para quem está viajando, mas podem se tornar uma eternidade para as pessoas que deixamos.

Pretendo escrever esse diário não apenas com os fatos que viverei em meu intercâmbio. Gostaria de compartilhar minhas experiências na preparação de minha viagem, desde a renovação do passaporte, a entrevista do visto no consulado norte americano, e o tão esperado embarque. Por esse motivo começo a escrever seis meses antes da viagem.

Na próxima sexta feira tenho marcada a renovação do meu passaporte. Depois de longos dois meses de espera, o dia marcado para renovação se aproxima. Eu sinceramente não consigo entender como a Polícia Federal demora tanto tempo para marcar uma simples apresentação de documentos. Hoje em dia no Brasil a burocracia para se viajar é mais longa que a própria viagem em si.

Mas enfim, voltando para o diário de viagem. Acredito que quando aceitamos fazer qualquer viagem assinamos um livro em branco, que fica a espera de ser preenchido com a nova vivência. Por muitas vezes passamos por situações que ficam marcadas para sempre em nossas memórias, que serão motivos de muitas conversas depois da volta. Entretanto, algumas situações não tão especiais também merecem ser registradas. Essa é a graça de um diário de viagem. Ele não é composto apenas pelos momentos magníficos, certamente terá momentos que sentarei em frente ao computador e não terei o que escrever, mas a obrigação de dar noticia aos amigos dará a inspiração necessária para que as páginas em branco sejam preenchidas.

Se eu pudesse dar meu primeiro conselho a quem irá viajar esse seria: faça um diário de viagem! Você se surpreenderá anos mais tarde com a quantidade de coisas que jamais passariam por sua cabeça, mas que de fato aconteceram.

Aqui embaixo um video sobre a experiência do intercâmbio de um grupo de amigos, postado pelo meu amigo Caio Miranda no meu facebook. Espero que gostem

http://www.youtube.com/watch?v=SCOp11ppvF4

terça-feira, 28 de junho de 2011

Porque NÃO fazer Intercâmbio?



Porque fazer um intercâmbio? Talvez essa seja a pergunta mais recorrente feita a mim. No inicio eu demorava a responder, ficava meio sem graça, sem jeito. Sentia-me um pouco maluco, afinal de contas porque eu iria fazer um intercâmbio? Afinal, eu vivo em um dos países mais bonitos do mundo, em uma cidade cuja alcunha principal é maravilhosa. Um país que está na linda e mais animadora estação durante o ano inteiro: o verão. Teria eu menos orgulho de ser brasileiro, por isso a necessidade de viver em terras além mar? Bem, acho que não, apesar de muitas vezes criticar os conhecidos problemas do Brasil, não me imagino sem o futebol, sem o majestoso Maracanã, sem a praia de Ipanema, da garota que vem e que passa com seu doce balanço a caminho do mar.

No inicio sempre respondia com a tradicional resposta de todo intercambista: “Será bom para o meu currículo”. Nossa! Que resposta vaga e sem sentido, resumir a experiência de viver em outro país à uma linha em seu currículo. Não, definitivamente, essa nunca foi e nunca será uma boa resposta. Nem ao menos chegava perto. Lembro-me que depois dessas perguntas eu ficava durante o resto do dia refletindo o motivo dessa aventura, e foi em uma dessas reflexões que decidi escrever esse blog. Mas os motivos para escrever um blog sobre minha viagem terão seu espaço devidamente reconhecido em outra postagem, voltemos ao assunto inicial.

Certa vez no meu curso de inglês fiz essa mesma pergunta a minha professora: “Porque fazer um Intercâmbio?” A resposta dela foi uma das coisas mais incríveis que já escutei em minha vida, certamente aquela era a resposta que eu deveria utilizar a partir daquele momento. Ela simplesmente respondeu com outra pergunta : “Pedro, porque você não deveria fazer um intercâmbio?” Foi um momento de catarse digno de livros de Clarice Lispector.

Apesar da saudade, se você realmente possuir condições de estudar fora , não existem motivos para não fazê-lo. Conhecer um novo país; aprender ou aprimorar um idioma; conhecer a cultura local, e a cultura de dezena de outros países trazidas na bagagem de outros intercambistas, e claro transmitir a sua própria cultura; conquistar independência, aprendendo a se virar sozinho; ganhar aquela linha extra no seu currículo; conhecer os principais cartões-postais do mundo; fazer compras sem os impostos imorais brasileiros. Enfim, os motivos de se fazer um intercâmbio são tantos, que cada qual mereceria um próprio texto. E me atrevo a dizer que poderia ser injusto esquecendo-me de citar tanto outros. Portanto, como não sou pessoa de cometer injustiças, hoje em dia apenas respondo com a aquela pergunta feita pela minha linda professora: “Porque não fazê-lo?” E deixo aqueles que perguntaram de queixos caídos, sem resposta, pois aquela tentativa maliciosa de reduzir esse momento mágico fora desconstruída.