quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Malas prontas, chegou a hora de dizer: "Até Logo, Brasil!"



Depois do visto concedido e recebido em casa chegou a hora de fazer as malas. Há quem considere o momento mais chato do pré embarque. Não compactuo desse exagero, afinal enfrentar filas na policia federal e no consulado americano foram momentos igualmente irritantes, e consumiram muito mais tempo do que o “simples” ato de separação de pertences

Bem, como sou carioca acostumado com temperaturas em média de 20 graus no inferno, e horrendos 40 graus(ou até mesmo mais) no verão tive que comprar muitas roupas de frio para viagem. Los Angeles não está entre os top dez lugares mais frios dos Estados Unidos, mas certamente estará muito mais frio do que estou habituado- em média 10 graus no inferno. Depois do meu banho de loja chegou o momento de “empacotar” tudo na mala. Dobra aqui, ajeita ali, chega para lá. Quantas camisas levar? Calças? Roupas íntimas? Momentos de “estou levando roupa demais”, seguidos de esvaziamento da mala. Posteriormente arrependimento “nossa, vou ficar três meses, tem pouca roupa” seguido de corrida para o armário em busca de algum objeto de qual nutro algum carinho especial e que não conseguiria viver sem – natural exagero. Sugiro a quem deseja fazer um intercâmbio que prepare uma mala para vinte dias de viagens, afinal roupas serão lavadas etc. Não precisamos levar nosso guarda roupa inteiro, até porque pagaríamos uma nota em excesso de bagagem.

Ao término dessa odisseia posiciono lentamente minha camisa do Vasco e a bandeira do Brasil sobre todos os meus pertences, como se tivesse pedindo uma benção aos dois símbolos das minhas origens. Além de estudante em Los Angeles serei um porta-voz da cultura brasileira, não receberei o salário de um diplomata, mas através do choque cultural apresentarei aos americanos e aos demais estudantes um pouco do Brasil. Sinto-me lisonjeado de possuir tal honraria, não fui nomeado por ninguém. Todavia, aceito a missão com maior satisfação e prazer do mundo.

Malas prontas, chegou a hora de dizer: "Até Logo, Brasil!"

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

E, finalmente, chega o dia do Visto.



Chegado o temido dia, hora de tirar o visto de estudante para os Estados Unidos. A burocracia para se tirar um visto é absurda. São pedidos todos os tipos de documento desde imposto de renda, até a uma carta da escola que estudarei. Enfim, os meses pré entrevista foram de uma correria desumana tanto do meu pai quanto minha para conseguir todos os documentos necessários e não correr o risco de receber “VISTO NEGADO”. E sem falar no inferno que foi preencher o formulário online que toda hora caía e não aceitava de forma alguma minha foto.



Eram dez e meia da manhã, a fila fora do Consulado já era perceptível. Dezenas de pessoas das mais diversas profissões e origens. Todas com suas próprias expectativas de viagem e interesses. Alguns estudantes na fila, um sargento fardado do exército brasileiro, uma senhorinha que viajaria pela primeira vez de avião para Nova Iorque sendo bancada pela filha. Enfim, pessoas diferentes mas com semblantes parecidos, a tensão tomava conta da fila ao meio da orientação das pessoas do consulado na separação do passaporte e dos documentos mais importantes. Nesse clima de tensão, o Sargento teve a noticia que havia esquecido um documento, pensando estar em seu quartel aumentou seu tom de voz com a menina que estava ali somente pra ajudar.

Despeço-me do meu pai, a entrada sozinha é obrigatória para maiores de dezoito anos. E, finalmente, entro no consulado. Passo pelo detector de metais e minha pasta com os documentos pelo Raio X. Felizmente nada perigoso entre meus pertences, sigo meu caminho para buscar minha senha. Número 603. Havia pelo menos umas cinqüentas pessoas na minha frente, a tensão permaneceria por alguns instantes. Abro meu livro de José de Alencar, folheio algumas páginas, não consigo me concentrar. Pego o folheto distribuído e vejo meus direitos como “não-imigrante”. Na teoria serei magicamente bem recebido em Los Angeles. Penso por um instante nos milhares de brasileiros que possuem problemas com o governo norte americano. O suor escorre pelo meu rosto, não pela refrigeração. Confesso que o ambiente estava bem climatizado, mas a tensão continua. Pego novamente meu livro do romântico José de Alencar. Para que tantos advérbios e adjetivos? Eu já havia entendido que Aurélia era uma moça muito rica, a obra prima não são os milhares de detalhes explicados detalhadamente (perdoe a redundância, ainda estou no espírito romântico), mas, sobretudo, a história.

SENHAS: 607 591 603 600 598

E de súbito escuto meu número ser chamado, volto a realidade. Esqueço-me totalmente da triste sina de Aurélia na escolha de seu pretendente e volto para a tensão. Sou conduzido para uma nova sala junto com seiscentos e sete, quinhentos e noventa e um, seiscentos e quinhentos e noventa e oito. Meus amigos sem nomes, numerados mas que vivem a mesma cena de tensão da entrada. Nossas digitais são retiradas. Nesse momento sorrio com a pronuncia da palavra " direita" da senhora do consulado, e sou conduzido para mais uma nova fila, a das entrevistas.

Esse é o momento onde você começa suar como tivesse jogada uma partida de futebol inteira com prorrogação. Sua perna treme. Você começa a escutar a perguntas dos entrevistadores através do vidro com o microfone para as outras pessoas – sim não há privacidade, todos sabem para onde você vai e o que vai fazer. As perguntas feitas a outras pessoas são sendo respondidas mentalmente com suas informações. E chegada a hora, o dialogo é rápido, mas a duração é quase eterna:


Oficial: Seu nome é Pedro Henrique, correto? (ênfase no sotaque da pronúncia de Henrique)
Eu: Sim
Oficial: Vai viajar para onde?
E: Califórnia
O: Turismo ou trabalho?
E: Nenhum dos dois, senhor. Estudo
O: Bem.... Você estuda no Brasil? Mora onde?
E: Faço Direito na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, senhor. E moro na Tijuca,bairro aqui do Rio

(breve pausa, ele digita alguma coisa, fica olhando alguns segundos para tela a sua frente)

O:Seu pai pagará seus estudos?
E: Sim, exato.
O: Quanto tempo de viagem?
E: 3 meses
O: Desculpe-me, quanto tempo?
E: 3 meses , three months, sir
O: Ah sim, desculpe-me novamente. Bem, seu visto já está concedido, vá pagar o sedex. Boa Viagem

Aquele momento mágico no qual você finalmente confirma que irá viajar, e que tudo deu certo. Confesso que sai do Consulado meio zonzo,meio atoardo ainda com medo de ser negado. Ainda tive que ouvir do lado de fora as reclamações do Sargento que havia gritado com a menina que teve o visto para sua inteira negado. Isso me fez lembrar os avisos do meu pai: “Pedro, a conduta dentro e fora do Consulado contam muito” Realmente, ele estava certo. Fico com pena da família dele, mas acho que ele poderia ter sido mais cortês com a moça que o tentava ajudar. O estudante e a senhorinha também tiveram os vistos concedidos, fiquei feliz por eles também. Ainda meio alto, fiz meu pai ir nos correios pagar a taxa do sedex para mim. Estava sem pernas e sem raciocínio para fazê-lo. Em breve, receberei meu passaporte com meu visto em casa, e a partir daí é só arrumar as malas. E como diria Lulu Santos:

Garota , eu vou para Califórnia

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Um poema é o que acontece quando uma ansiedade encontra uma técnica.


(Minha coisa favorita é ir onde eu nunca estive - Diane Arbus)

Certa vez um poeta disse que “Um poema é o que acontece quando uma ansiedade encontra uma técnica”, tendo em vista que não tenho técnica ficaremos sem o poema. Mas não sem um texto para marcar o dia de hoje. Falta exatamente um mês para o meu intercâmbio.

Hoje foi um dia atípico, não tive aula devido ao ponto facultativo estadual. Entretanto, eu passei o dia inteiro estudando pois minhas provas estão chegando , ou seja, sem muito tempo pra pensar no meu intercambio. Todavia, ao final da noite olhei meu calendário e notei o óbvio, e por isso não podia deixar essa data passar em branco. Muitas coisas passaram na minha cabeça. Desde minha primeira viagem de avião a Portugal, quando no alto da minha curiosidade infantil questionei meu pai sobre o significado dos pingentes de bandeira no terno do comissário de bordo. A resposta foi simples, mas foi marcante: “São todos os idiomas que ele fala, filho, ele é um poliglota.” Eu não sabia que uma pessoa poderia falar tantos idiomas, não sei dizer se minha memória me engana mas tenho quase certeza que eram quase mais de dez bandeiras. Eu fiz uma promessa desde então: “Pai, eu vou ser um poliglota.” Bem, confesso que até hoje só falo inglês e português, arranho a leitura de espanhol, estou bastante longe daquele objetivo daquela criança de quatro anos de idade. No entanto, eu sei que minha paixão do inglês nasceu dali, e meu pai ri até hoje quando lembra essa história.

A vida certamente é feita de sonhos, e partir daquele momento meu sonho não era apenas falar mais de um idioma, era conhecer o mundo. Minha paixão por viajar, por estar onde nunca estive se iniciou naquela viagem a Portugal. Confesso que lembro pouco, ou quase nada, daquela viagem. Eu era muito pequeno, mais alguns "flashes" ainda passam pela minha mente, e se hoje faço direito visando a área internacional foi devido aquela viagem tenho certeza disso

Meu intercambio marcará minha vida, viverei imerso em um idioma que não tenho o domínio, e isso faltando um mês para viagem somado a ansiedade começa a provocar medo em mim. Não um medo ruim, mas um medo motivador daqueles que um jogador de futebol sente ao entrar em campo antes da grande decisão. O medo daqueles que por tantos anos sonharam e até mesmo duvidaram que seria possível concretizar seus desejos. Estou prestes a realizar um sonho. E como um bom brasileiro que sou não poderia terminar esse post de outra forma que não fosse samba:


“Sonhar não custa nada
O meu sonho é tão real
Mergulhei nessa magia
Era tudo que eu queria
Para ese carnaval
Deixe a sua mente vagar
Não custa nada sonhar
Viajar nos braços do infinito
Onde tudo é mais bonito
Nesse mundo de ilusão
Transformar o sonho em realidade
E sonhar com a mocidade
E sonhar com o pé no chão” (Mocidade Independente de Padre Miguel - Sonhar não custa nada!)

"Existem duas coisas que impedem uma pessoa de realizar os seus sonhos: achar que eles são impossíveis, ou, através de uma súbita virada na roda do destino, vê-los transformarem-se em algo possível quando menos se espera.Pois neste momento surge o medo de um caminho que não se sabe onde vai dar, de uma vida com desafios desconhecidos, da possibilidade que as coisas com que estamos acostumados desapareçam para sempre.As pessoas querem mudar tudo, e ao mesmo tempo desejam que tudo continue igual.Muitas vezes acostumamos com a derrota, e qualquer chance de vitória torna-se um fardo pesado demais para carregar ou somos covardes demais para mudar o destino." (Paulo Coelho)



segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Dream of Californication...

Semana de Rock In Rio, a cidade simplesmente parou! Esse evento consegue mobilizar não apenas o Rio, não somente o Brasil, mas como o mundo inteiro. E eu estava lá! Sábado, dia 24 de Setembro de 2011, show do Red Hot Chili Peppers. E o que isso tem a ver com meu Intercambio? Tudo. Aquela banda californiana que move milhares de fãs ao redor do mundo e mesmo assim consegue ser critica com as suas próprias origens. Quando eles tocaram ao vivo “Californication”, meu mundo quase desabou. Foram minutos de reflexão sobre a viagem que se aproximava, sobre o sonho que estarei realizando dentro um pouco mais de dois meses. As lágrimas eu segurei, mas a emoção de cantar aos berros não.


Um das decisões mais difíceis na hora de fazer um intercâmbio sem dúvida é a escolha do destino. Ainda mais se você deseja aprender inglês. Existem opções das mais variadas, desde países tradicionais como os Estados Unidos e a Inglaterra, até países mais exóticos como Nova Zelândia e Cingapura. Todos os destinos possuem suas vantagens e desvantagens, não existe um lugar perfeito no mundo, existe sim o lugar perfeito para você.

Diversos fatores me fizeram escolher a Califórnia, além de estar situada no país via de regra visto como liderança global. Por exemplo, o clima mais ameno do que o frio descomunal no Canadá, outro local preferido dos intercambistas. Por pouco não fui para Nova Zelandia, mas acredito que necessitava de uma experiência nos Estados Unidos, principalmente visando meu currículo.

A Califórnia é o lugar dos sonhos para aqueles que sempre foram amantes de Hollywood, meu sonho será realizado em breve. Só tenho a agradecer aos meus pais por essa oportunidade única. E aos meus amigos por um final de semana perfeito de muito rock e histórias que guardarei para o resto da minha vida!







terça-feira, 19 de julho de 2011

Vôos, escalas, conexões – O desespero de uma viagem Internacional.

Quem inventou as conexões dos vôos internacionais? Sim, eu preciso dessa informação. Primeiro para parabenizar do ponto de vista empresarial, afinal foi uma idéia genial,encher os aviões com conexões de várias partes do mundo, todavia, só existe esse ponto como positivo. E segundo para agradecer ironicamente pelas horas em um aeroporto de uma cidade que não tinha a menor pretensão de visitar. Esse é um ponto muito mais do que negativo. Já não bastassem as horas dentro do avião, esse cidadão nos deu acréscimo de hora de viagens, pensando no bolso dele, jamais no conforto para os passageiros.

Essa semana estive na minha busca incessante pela minha passagem com destino à Los Angeles, local do meu intercâmbio. Visitei diversos sites das mais variadas companhias aéreas, consultei preços, os aviões os quais eu embarcaria. Obviamente, a margem de preço era bastante variada, não irei fazer propaganda de nenhuma companhia aérea, afinal não ganho para isso, (mas poderia ganhar, estou aberto a patrocínios para o meu site hehehe). Senão bastassem os preços diferentes; as facilidades oferecidas por uma e outra; os tipos de aeronave; corredor ou janela; deparei-me com a necessidade de escolher em qual lugar eu faria a maldita conexão.

Pela distância geográfica não existem vôos diretos para Califórnia, e foi a partir desse momento que o inferno começou. Discuti durante horas com meu pai se eu deveria fazer a conexão em Miami do outro lado dos Estados Unidos me adicionando assim mais algumas horas dentro do avião. Depois surgiu a sugestão de conexão em Dallas- aeroporto esse que eu já conhecia, pois havia feito uma conexão lá quando viajei para Orlando em 2006. E a opção mais barata que a cada dia mais se populariza: a conexão na cidade do Panamá. Nada contra o país e a cultura local, mas descer em um país que não domino o idioma, por uma companhia aérea com aviões não tão novos era uma opção pouco atraente.

Como sempre fui salvo pelos meus queridos amigos. Depois de postar meu desespero via facebook recebi dezenas de sugestões, e a que eu acatei foi a de fazer conexão em Houston. Ficarei duas horas e meia no aeroporto George Bush, mas em compensação de Houston para Los Angeles levarei apenas três horas de vôo. Preferi escolher a poltrona da janela, afinal poderei encostar a cabeça e dormir sem maiores problemas.

Então, fica ai minha sugestão a quem pretende ir para Califórnia e não tem a menor idéia por qual conexão começar a pesquisar. E tomem cuidado com o tempo de espera entre as conexõs, o ideal é que seja um tempo intermediário, nem muito nem pouco. Afinal, se o avião atrasar você tem quer ter tempo hábil para o deslocamento para a próxima aeronave. Em dezembro contarei a vocês se fiz uma boa escolha ou não.

domingo, 10 de julho de 2011

Basta! Viajar eu vou!

¹

Às vezes nossa vida muda drasticamente sem ao menos perguntar se estamos preparados para isso. Um olhar, um piscar de olhos, e tudo mudou. Outras vezes tudo parece tão igual, tão monótono que existe uma necessidade quase que vital de uma mudança. Você olha para suas roupas não se sente mais bem nelas, pensa em suas escolhas e simplesmente não as aceita mais. Ouve seus amigos e suas dezenas de conversas sem sentido, destaca-se do grupo, pois existe uma vontade de observar e perceber o quanto daquilo é real, e o quanto parte daquele grupo você faz. Chega à conclusão que aquelas pessoas vivem muito bem sem você, seus planos de vida já estão traçados, seus amores platônicos vivenciados e você? O que te tornou essa pessoa que nem ao menos aceita a rotina que leva? Chegou a hora de viajar.

Viajar não apenas no sentido literal da palavra, mas, sobretudo, chegou a hora de viajar metaforicamente ao seu inconsciente. Descobrir seus defeitos; suas qualidades; seus sonhos; seus desejos a curto, médio e longo prazo. Chegou a hora de aprender que nada na vida é eterno, nem mesmo você. É o momento de renovar seu passaporte, enfiar aquelas roupas velhas e surradas- as quais já não te satisfazem- dentro daquela mala da sua última viagem de anos, anos atrás. Deixar para trás todos seus problemas e aflições, e obviamente até mesmo seu statu quo² de segurança. Aquilo que te define como ser humano será deixado para trás. O momento é de reinvenção.

Enquanto faz os preparativos para sua viagem seu pensamento é um só: “tudo será perfeito quando chegar a meu destino”. A grande surpresa do seu pensamento é que o destino não significa apenas o local escolhido para a viagem, o destino possui sim aquele sentido mais amplo de objetivo de vida. Ou seja, nem tudo será perfeito quando chegar ao local planejado para viagem. E serão esses pequenos detalhes que farão a diferença, os pequenos problemas que te tirariam do sério se fossem previstos farão a diferença. Afinal, como assim a casa para onde irei não terá uma máquina de lavar? Como assim terei que andar até a cidade para lavar minhas roupas? Esse seria seu pensamento antes da viagem. Felizmente, durante a viagem a oportunidade de visitar uma lavanderia no centro da cidade será uma ótima oportunidade de conhecer o local, fazer novas amizades e emergir na cultura. Seu objetivo foi alcançado, sua rotina de lavar as roupas em casa foi deixada para trás. Viva os pequenos detalhes que fizeram a diferença

Escrevo hoje sem saber quais serão esses detalhes, mas com o sentimento de que é preciso mudar. É preciso me reinventar. Minhas antigas roupas, desculpas e respostas já não são mais suficientes. Basta! Viajar eu vou!



¹Tradução da Placa: " Mudanças: Próxima Saída."
²statu quo (da expressão in statu quo res erant ante bellum) é uma expressão latina que designa o estado atual das coisas, seja em que momento for.

sábado, 2 de julho de 2011

Passaporte: Com emoção ou sem emoção?


Depois de dois meses de espera o dia chegou. Meu horário marcado para apresentação dos documentos na Polícia Federal era às dez horas da manhã no Shopping Rio Sul. Resolvo acordar oito e meia para ter certa tranqüilidade, e não ter problemas de atraso. Todavia, como de costume nada do que planejamos sai de fato como o esperado. O despertador toca e eu resolvo ter mais cinco minutos de sono, tais minutos que se tornaram vinte. E sim eu já estava atrasado.

Levanto-me correndo em direção ao banheiro, tomo um banho rápido, visto-me e saio em disparada rumo ao ponto de ônibus. Espero por intermináveis quinze minutos o 433 passar. Sento-me no local mais perto da porta, e o que me restava a partir daquele instante era esperar e rezar.

Salto no ponto de ônibus em frente ao Rio Sul às dez horas em ponto, no limite do relógio e do meu horário marcado. Subo em disparada as milhares de escadas rolantes, esbarro com um rapaz, que fica visivelmente irritado com a minha afobação, a qual beirava a total falta de modos. Peço desculpas ainda andando, e deixo o pobre rapaz a resmungar sobre a situação. Entro em rompante no posto da Polícia Federal às dez horas e seis minutos, meu nome já havia sido chamado. Porém, eu não sabia, por isso fiquei sentado por uns quatro minutos esperando o chamado. Até que o pensamento de estar atrasado me faz perguntar à senhora da frente se algum “Pedro Henrique” havia sido chamado, ela balança cabeça positivamente, e diz que a vez tinha sido passada. Desespero, aflição, medo. Mistura de sentimentos.

Aproximo-me da porta e espero a atendente aparecer. Digo que estava atrasado, peço desculpas, e por um breve momento de imensa sabedoria invento uma desculpa: “Desculpa, eu estava em prova na UERJ. Só pude chegar agora, quando eu marquei há dois meses não sabia que teria prova no mesmo dia”. A desculpa foi aceita, o que é raro, afinal os servidores públicos desse país detestam adiantar a vida dos cidadãos. Momento de glória. Tenho a clara impressão que uma gota de lágrima desce em meus olhos.

Sento-me na cadeira, entrego os documentos. Justifico a inexistência de certificado militar e comprovantes de votações devido à minha pouca idade. A atendente sorri, e diz que não tem problemas. Apresento meu antigo passaporte, o qual é devidamente furado para ser invalidado. E lá se vai a história de uma outra viagem aos Estados Unidos. Com um momento de nostalgia lembro-me da Disney, do aeroporto. Sinto-me feliz, voltarei aos Estados Unidos em breve.

Depois da apresentação de documentos o momento mais tenso: Assinatura no leitor digital. Pego a caneta, assino e não vejo nada. A assinatura vai direto para tela do computador, de forma horrenda, mas enfim, pelo menos estava lá. Faço minhas digitais no leitor, tiro minha foto e pronto. Recebo o protocolo com o dia do recebimento do passaporte. Abro um sorriso, agradeço e me levanto. Missão cumprida.

Anotação mental: Lembrar da aula de Direito e Pensamento Politico, o auto-engano. Cinco minutos jamais são apenas cincos minutos.